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Uma carta pessoal para a saudade

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   É difícil lidar com coisas das quais você nunca teve que se imaginar fazendo. Deixar momentos para trás, lugares que você chamava de casa e cheiros que estão guardados na sua memória como se fosse uma caixinha de felicidade. Pessoas ficam para trás daquele avião e você não pode fazer nada além de lamentar e desejar que eles não te esqueçam. O problema é que, eventualmente, elas esquecem.
   Dizem que quem ama, nunca esquece. É verdade, creio eu. Mas quem ama, odeia o fato de não estar junto. Quem ama, compreende. Quem ama, seja na situação que for, odiando, compreendendo, sente falta. Não é como nos filmes, que em questão de segundos, meses se passaram. Não é como nos livros, que quando você voltar, eles vão estar lá, sorrindo. Não é como em músicas, que ocorre uma metamorfose na tristeza e ela vira sucesso. Não é como nos poemas, onde a dor é bonita. A saudade é o sentimento mais verdadeiro, que você não tem como fingir, nem tem como fugir, e é por isso que não sei o que é mais trágico: continuar procurando meus amores por onde quer que eu vá, ou que eles nunca estejam lá. 
   Eu sinto sua falta, mas não sei demostrar. Eu sinto você em cada dia, em cada momento que não estou por perto. Eu sinto muito por não estar mais a uns minutos de distância para que, no momento que você precisar, eu largue tudo e vá descobrir como te fazer sorrir outra vez. Eu sei também que dizer tudo isso não mudará nada, no entanto, é necessário que seja dito, porque, caso um dia decida olhar para trás, terá minhas palavras como testemunha. E em cada vírgula, em cada letra, em cada palavra sofrida, você está aqui. E é por isso que eu amo você. 
      Não é a intenção de ninguém, porém é assim que tudo funciona; é assim que a sutileza da presença na rotina se apresenta: quem não é visto, não é lembrado. Prepare-se para ser esquecido por quem um dia prometeu nunca te deixar.
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