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   Faltam duzentos e quarenta e oito dias pra que eu volte pra casa. Sabe, quando coisas boas acontecem, você não quer saber a data pra essa coisa boa acabar. Ninguém conta as bolachas que ainda estão no pacote: eles contam as calorias e quantas já foram ingeridas. Minha viagem (se não sabe do que eu estou falando, tem uma explicação aqui e aqui) é exatamente como esse pacote de bolachas. Estou ingerindo os dias que já se passaram e contando as momentos que já fiz. Até agora. Hoje foi o dia em que eu parei pra ver o tempo que falta; as bolachas que eu ainda não provei.
   Quando eu estava em casa, era como se meu nome fosse o que fizesse as pessoas sorrirem, ficassem animadas, ou mesmo não gostassem de mim. Meu nome me representava. Agora, aqui, nada me representa; nem um nome, nem minha personalidade, nada. Sou só uma junção de letras que saem erradas da boca de estranhos. Chamam meu nome e eu sei que não existe afeição, e isso soa triste pra mim. Sinto falta de amor. Sinto falta de bom dias calorosos, e falo de amor que esquenta a alma e não do que queima as bochechas.
   Ainda sim, como não dizer que estou animada por ver neve e para sair por aí com fantasias malucas no fim do mês que vem? Eu estou. Como não dizer que estou feliz por ter conhecido pessoas que estão me tratando como filha? Como não dizer que estou feliz por aquele estranho que eu abracei na igreja ter me dito que nem mesmo suas filhas o abraçavam do modo como eu fiz? Como não dizer que é uma experiência importante e que mudará minha vida? Não tem como dizer, e é por isso que eu não digo. Viajar, seja pelo tempo que for, é uma das melhores coisas do mundo. Agora pergunte o motivo para essa afirmação ser verdadeira e você obterá as mais diversas respostas. Minha versão, por exemplo, exemplifica a minha personalidade, sempre movida pela emoção: a saudade.
   No ápice da noite, me pego pensando sobre arrependimentos. Pergunto-me se tomei o caminho certo, ou se esse sentimento de estar correndo com uma âncora amarrada no sapato é só devido as novidades. Chego num ponto onde sei que estou perdendo momentos, mas não me importo. Viajar pra mim é a melhor coisa do mundo por conta da saudade: se alguém sente sua falta, mesmo que não diga, mesmo que não demonstre, você descobre, com uma simples viagem, o quanto é importante. E é isso que faz tudo valer a pena.
   
 
   
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