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Borboletas, mortes e perguntas.

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   Alguém já se perguntou o que acontece com as borboletas nas outras estações do ano? Porque elas não estão lá no inverno da mesma forma, com a mesma frequência, que eu as vejo no verão. Talvez eu possa ser como uma borboleta, e me camuflar em outros tempos, quando o frio for demais. Quando as pessoas ao meu redor resolverem não me amar mais. O que, aparentemente, acontece com uma certa frequência que eu não desejava que existisse. 
   Certo, elas não se camuflam. Mas as pessoas não sabem disso porque nem se perguntam para onde elas foram. Quando chove, suas belas cores se escondem sob uma folha grande o suficiente para que um mínimo pingo de chuva não as leve ao chão. A chuva, ao nosso olhar, é uma coisa tão simples, tão rotineira, mas para elas, uma garoa que seja já representa um perigo grande o suficiente para que seus instintos sejam acionados e elas tenham de se proteger. A verdade é que palavras duras, para mim, servem exatamente como essa garoa: para os outros, parece algo sem significado, que não altera nenhuma vida, no entanto, faz com que me leve ao chão com um simples pingo mais grosso, se comportando como se fosse uma bigorna sendo jogada com vontade contra meu peito.
  É triste a forma como elas colorem a paisagem, se alimentando do néctar de umas flores, espalhando beleza, e nem merecem uma pergunta. "Para onde as borboletas vão?" Bem, elas morrem. Muitas têm algumas semanas de vida, apenas. Nesse meio tempo, tudo que elas fazem é implorar por atenção, mas ninguém nota. Isso é triste, não? Colocando-se no lugar dela, temos uma vida tão... Uma vida que muitos possuem. Passam tempo fazendo coisas leves, que só pessoas especiais analisam e conseguem sorrir com isso, e, quando partem, ninguém para, perguntando-se o que aconteceu. A verdade sobre a morte é que muitas pessoas não ligam para ela, não pensam nela, até que ela seja esfregada na cara. Por que que se forma uma multidão quando um corpo está estendido no meio do asfalto, depois de uma colisão de dois carros? Algumas pessoas estão ali porque estão irritadas com o trânsito caótico que está se formando por conta do humano desgraçado que resolveu morrer bem no horário de pico, e outras estão pasmas. Não se iluda, porém. Essas que estão com a mão na boca, com expressões retraídas e olhares distantes, não têm pena do falecido; elas só estão se perguntando se aquele será o mesmo destino delas. 
   Estamos fazendo as perguntas erradas, e obtendo respostas todos os dias, mas ignorando o que não nos convém. As borboletas morrem, as pessoas são egoístas quando se trata da morte, e eu me sinto como uma borboleta que se machuca por pouco, e então se esconde. Mediante desses fatos todos, quais perguntas você vai se fazer?
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2 comentários:

  1. Heeeeey Bia!!! Gente,esse texto me fez refletir sobre isso e você tem mesmo razão.Obrigado!!
    Beijos
    Ariih|| diario-de-uma-adolencencia.blogspot com

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    1. Você não sabe como é bom ler isso, Ariadney. Fico muito feliz que tenha gostado.

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