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Um livro e uma música.

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   Ele sabia o quanto ela amava ler. Deve até ter lido alguns resumos de seus livros favoritos, e se arriscou em algumas páginas de uma literatura que não fazia parte do cotidiano dele. Era bonito de ver como os dois se olhavam, como se fossem aquele perfeito exemplar, onde, por diversas vezes, tomou outro rumo, que não o da prateleira, e alimentou uma imaginação em preto e branco. O amor deles não servia de exemplo, mas era bonito o suficiente para proporcionar suspiros para pessoas céticas.
   Ela sabia o quanto ele amava músicas. Acho que ouvi, por umas centenas de vezes, sobre como ela admirava o gosto musical do menino gelado. Ele tinha as mãos congelantes, porém um coração que a aquecia em madrugadas onde nem as estrelas se arriscavam mediante a tanto frio. Ela sorria, imaginando o dia que ouviria alguma melodia vinda de seus lábios. Ele, no entanto, era tímido demais para deixá-la ouvir a voz esganiçada e desafinada de um garoto que, no seu interior, só desejava ser amado.
   Eles não eram um livro do John Green, e nem eram atrevidos como em romances de Bukowski. Eles não tinham falas inteligentes, nem grandes filosofias. Eram duas almas, aproveitando um espaço de tempo indeterminado e rezando para que acabassem juntas. Ou até se separassem, mas que, em um futuro não tão distante, voltassem para seu caminho. Eles não eram melancólicos, como Band Of Horses, e nem animados como artistas pop. Eles eram ele e ela. O garoto que não acreditava ser bom, e a garota que queria ser boa.
  Um fato engraçado sobre eles é que ele não queria saber o quanto ela amava ler, e ela não queria compreender tão bem as letras das suas canções favoritas. Eles não queriam ser aquele casal. Mas eles eram. Eram lindos juntos, e eu não gostaria de estar colocando verbos no passado, mas, em diversas vezes na vida, temos que aprender a conjugar o tempo verbal certo; o que fará bem para todos os envolvidos, e não só para dois corações irracionais que se completavam em uma tarde chuvosa, em um canto do sofá. Eles eram, afinal, um livro e uma música. 
   Eu não soube o que aconteceu com eles. Não sei se acabaram se contentando em ser um estilo musical, ou se arriscaram-se em um mundo de vinis. Não sei se aprenderam a combinar diálogos com filosofias silenciosas, mas acho que um dia eu os verei de novo. Talvez juntos, talvez não. 
   É a vida, não é? Isso de não saber o que acontece amanhã. Porém espero, do fundo de um coração que só sabe combinar palavras aleatórias do dicionário, que eles notem que um livro e uma música podem ser o suficiente para manter um amor. Ou criar um novo, se for o caso.
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10 comentários:

  1. Vc sabe que os seus textos são os melhores, n sabe? E sabe que mesmo não visitando aqui frequentemente, esse é o melhor blog que já li, e seus poemas são os melhores que já foram escritos. Não são escritos apenas com palavras que são jogadas ao vento, elas são vindas da alma, com sentimento que é passado por uma simples leitura. Você tem futuro, menina. Acredite nisso.

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  2. Minha querida Bianca,eu tenho certeza que esses textos poderia publicar um livro de cronicas.São tão lindos e tão profundos.
    Bjs
    DDUA

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    1. quem sabe em um futuro não tão longe, hum?

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  3. Esse é meu texto favorito

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    1. :o alguém tem um dos meus textos como favorito :o

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  4. O menino gelado e o menino das palavras sao a mesma pessoa?

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    1. não, são pessoas completamente diferentes

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  5. É verdade vc deveria fazer um livro de cronicas!! vc escreve muito bem, esse texto é um dos meu favoritos

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    1. será que o pessoal ia gostar? não sei se crônicas são muito atraentes :(

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  6. Eu adoraria um livro de crônicas suas!!! você é demais

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