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Esquece as aspas: As bipolaridades da vida

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   Não sei exatamente o que aconteceria se eu não tivesse a possibilidade de levantar e expor a minha opinião para algumas pessoas ouvirem, ponderarem se estou certa, se faz sentido, e, talvez, aceitarem minha tese. Não preciso de mestrado para saber que a política precisa de melhorias, e também não preciso da hipocrisia de cidadães cheios de razão, que fazem protestos, pedindo por honestidade, sendo que não possuem ética alguma. O maior problema da atualidade é que os burros estão repletos de certezas, gritando seus devaneios e os inteligentes estão repletos de perguntas, sussurrando suas dúvidas. 
   A sociedade prega que você não deve se envergonhar do que faz, e é por isso que estamos do jeito que estamos. Não é errado você abortar, mas é certo, perante a lei, que um pai tire a vida de um filho por dinheiro. Não estou falando do menino Bernardo, que foi brutalmente morto. Estou falando das Júlias, das Fernandas, dos Antônios, humanos que foram mortos, mas que seus assassinos estão soltos por aí porque seus casos não foram ao tribunal. Não quero colocar mais lenha na fogueira, mas sabe porquê existe tanta pressão em cima dos juízes responsáveis pelo julgamento do menino Bernardo? Porque o caso caiu na mídia como carne para cães famintos. Porque o noticiário se alimenta de barbaridades que, infelizmente, estão se tornando tão comuns, que nem comovem mais.
   Está certo que a vida é muito curta para tanta tristeza, no entanto é necessário associar o senso crítico com a vontade de ser feliz. Em vários dias, eu prefiro me manter alienada do que se passa ao redor de mim. Limito-me a olhar pela janela, ver a praça que existe em frente de minha casa, onde crianças brincam, velhinhos caminham lentamente, como se a vida não estivesse segundos mais perto de acabar, e pássaros cantam. Estou apegada em uma parte da vida em que é bela pela naturalidade. 
   Sem maquiagem. Sem sangue. Sem alterações.
  Eu tenho noção de que minhas palavras não mudam protestos, não mudam a fome, não muda a falta de respeito que a sociedade apresenta para seus semelhantes, mas, se eu fizer juízo ao que fui ensinada, não devo sussurrar minhas dúvidas: o que eu tenho feito para mudar a bipolaridade que está o "certo"? Porque hoje, nesse exato momento, tudo parece ter dois lados. O certo virou questão de opinião. 
   O certo não é questão de opinião, e eu ainda me comovo com funerais desnecessários. A única coisa certa na vida é a morte, porém assassinatos que ocorrem por um celular furtado alteram a ordem natural das coisas, onde são os pais que enterram os filhos, e, em algumas vezes, são os próprios por trás de facas afiadas, ou armas geladas.
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