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Top 5

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   Com menos de um mês faltando para as tão desejadas férias de inverno, eu fiz O rancho de livros. Aproveitei os preços baixos tanto na Saraiva, quanto na Submarino, e comprei seis livros de uma só vez. Livros como os de John Green estão por dezoito reais, e eu, como havia os lido somente por PDF, resolvi ter os "físicos" e ler outra vez. 
   O Top 5 de hoje são sobre livros dos quais eu já ouvi falar, mas que ainda não tive a oportunidade de ler. Caso alguma leitora já tenha os lido, peço que comente, porque, honestamente, não dá pra ter uma ideia muito boa a partir das resenhas; e pode ajudar outras pessoas que também desejam ler o tal livro, mas não o fizeram ainda.

Morte Súbita - J.K Rowling
Apesar de nunca ter lido uma linha sequer de Harry Potter (nem ter visto os filmes), Rowling parece ser uma boa escritora. Em "Morte Súbida", a história de Pagford e seus habitantes é contada, que, após a morte inesperada de Barry Fairbrother, membro da Câmara do vilarejo, fica em choque. Eu não procurei muitos resumos, então minha vontade se baseia no renomado nome da autora. Ela é realmente boa assim?

A Garota Que Eu Quero - Markus Zusak
Markus tem crédito o suficiente depois de ter escrito aquele livro maravilhoso narrado pela Morte. A criatividade e leveza com que ele escreveu aquele livro, fez com que eu pesquisasse mais sobre ele e descobrisse esse romance, que se trata de um triângulo amoroso entre irmãos. Cameron é cuidadoso, atencioso e daria de tudo para poder amar as mulher que Rube, seu irmão mais velho, deixa de lado, a cada semana. Ainda sim, eles são fiéis um ao outro, então fica díficil para Cameron levar o que sente por Octavia, a nova namorada do irmão, a sério.

Eleanor & Park - Rainbow Rowell
A capa de um livro diz muito sobre ele, e foi por essa ilustração muito bonitinha que eu me apaixonei e fiquei com vontade de ler Eleanor & Park, que é um livro sobre uma menina ruiva e nada convencional, que se apaixona por Park, o coreano apaixonado por quadrinhos. Os dois ficam juntos no ônibus escolar, e não se importam muito com o que os outros falam sobre eles. Pelo que eu li, "essa é uma história sobre o primeiro amor, sobre como ele é invariavelmente intenso e quase sempre fadado a quebrar corações. Um amor que faz você se sentir desesperado e esperançoso ao mesmo tempo".

A Última Carta De Amor - Jojo Moyer
Além da capa convidativa (assim como o nome), minha adorável obsessão pela Jojo faz com que eu deseje esse livro. Ela é (surprise, surprise!) britânica, e escreve maravilhosamente bem, então eu meio que estou esperando muito dessa narrativa. "A Última Carta De Amor" é bem parecida com a história quase que clássica do filme Cartas Para Julieta, que toda romântica incurável já viu, pelo menos duas vezes, só que no livro Ella é uma jornalista que encontra as cartas de Jennifer, de quatro décadas antes, que teve amnésia e descobriu que estava se relacionando com B, um caso fora do casamento, e que estava a ponto de deixar sua vida para ficar com o misterioso amante. Ella se prontifica a descobrir o mistério e ajeitar sua própria vida, a partir de cartas de amor de anos atrás. 

Cante Para Eu Dormir - Angela Morrison
Naquela cansativa viagem de doze horas de avião, eu comecei a ler "Cante Para Eu Dormir", mas nem cheguei na metade, porque a luz irritava muito os meus olhos. Se passaram um ano, e eu nem cheguei na metade do livro, mas, ainda sim, a história é muito boa e eu devo retomá-lo. 
Beth sofre bulling e passa toda sua infância sendo rejeitada por sua aparência. As únicas pessoas a aceitá-la são sua mãe e seu melhor amigo, Scott. Mas tudo isso fica para trás quando ela é convidada para ser a vocalista do coral da escola e conhece Derek, por quem Beth se apaixona, mas acha que não merece. No entanto, ela quer experimentar, mesmo estando a milhas de distância.

PS.: 

Como propaganda é a alma do negócio, lembrem-se que o meu querido livro também está disponível na Livraria Cultura, ou é só me contatar pelo email bianca.444@hotmail.com
"A Cura Para O Amor" é com pontos de vistas sendo alternados entre ele e ela; é uma história sobre amor, mas não só do tipo que faz com que meninas fiquem com sorrisos bobos porque, honestamente, não vivemos só de romance. 

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A semente do amor

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   Fiz uma plantação de amor, bem atrás do meu lar. O jardim, com uma cerca baixa, na cor branca, era um dos meus maiores orgulhos, e acabei comprando as sementes com meus pais e minhas professoras do primário. Pode ser que eu possa ter roubado umas daquele menino loiro de olhos claros, que levava sua lancheira azul de um lado para o outro, a balançando como se seu alimento não pudesse ser esmagado (era sempre um sanduíche e uma maça, da qual ele nunca tocava). Também pode ser que eu tenha barganhado algumas em um jogo de cartas, com minha avó, que sempre roubava de mim. 
   Eu comecei a cavar a areia quando entendi o que significava o amor. Quer dizer, quando acreditei entender o que era aquele sentimento, porque, ao conhecer ele, eu deixei de entender e passei a gostar de me iludir. Enquanto a terra sujava minhas mãos, eu via pessoas chegarem e irem embora. Nunca me importei com o tempo que elas permaneciam em meu lar, porém sempre me apeguei na forma como elas me abraçavam. Os olhos fechados faziam toda a diferença do mundo. Enquanto a terra sujava minhas mãos, eu aprendia que amor não é prender alguém, e sim deixar a pessoa ir, sabendo que, de uma forma ou outra, ela sempre voltaria. 
   Ele, ao contrário de todas as outras pessoas que eu acreditei que retornariam, não tornou a me chamar de "sua". Com ele, o menino das palavras, eu não me importei com ciúmes, ou com possessividade, porque tudo naquela relação era recíproco. Entretanto, estar com ele fez com que uma tempestade chegasse rápido, não me dando tempo nem de pensar em fazer algo para que minhas mudas de amor não fossem destruídas. Estar com ele fez com que a cerca branca se quebrasse, e o amor ficasse com alguns buracos, como se tivesse chovido pedras de gelo. Com ele, o príncipe encantado, meu jardim se tornou vazio.
   Haviam ainda as flores da generosidade, da bondade. As sementes de amor ainda estavam lá, só que, sem a presença dele, eu desisti de cuidar de todas que estavam ali, porque não tinha força para seguir em frente. Não quis saber de finais felizes, nem de uma nova cerca. Eu quis ele, porém ele não me estava disponível. No fim, não importou quantas pessoas haviam me dado amor, quantas pessoas haviam me ensinado como regar as sementes, nem quantos abraços eu havia recebido; sem ele tudo pareceu sem sentido, inclusive cultivar um sentimento que, naquele momento, parecia ser só digno dele. 
   Assim, sem querer, parei de amar.
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Definições definidas

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 Todos os dias, milhares de pessoas dizem coisas das quais não sabem o significado. Ou que não sentem. Ou que não notam o verdadeiro significado. Eu não sei exatamente quem inventou esse tipo de comunicação, no entanto me sinto grata porque penso que se não fosse pela escrita, eu estaria perdida em um vazio de sentimentos que eu soube como explicar, mas que se perderam em minha mente barulhenta. As músicas, os diálogos de elevador, as filosofias baratas, cada detalhe levaria meus pensamentos inteligentes embora, porque eu não teria as palavras para poder ler depois. Meu objetivo, porém, não é expressar meu amor pela escrita, e sim mostrar a minha tristeza pelas definições não tão definidas.
   Sabe do que sinto falta? Daquele nervosismo relacionado ao menino que você gosta, assim que vocês vão se ver. Sinto falta de uma paixão arrebatadora, e de diálogos subentendidos, que não se utiliza muitas palavras, mas que, com olhares e estralares nervosos de dedo, indicam o quanto amor há. Eu não gosto dessa atmosfera onde, necessariamente, eu tenho de flertar descaradamente. Não existe mais aquela sutil ajeitada no cabelo, nem no olhar nos olhos, sorrir fraco, e abaixar a cabeça de vergonha. Nem existe o conhecimento do significado de "flerte". Cartas são subestimadas e atos de carinho são baseados no tamanho do presente. 
  "Eu estou bem". O problema em estar bem, é que não significa estar feliz. Quer dizer, uma coisa é sorrir e outra é não sentir dor física. Uma coisa é se sentir pleno, se sentir feliz, e outra é estar sobrevivendo dia após dia. Como, casualmente, todos citam: sobreviver é diferente de viver. "Se cuida". Você diz isso quando se despede de alguém, geralmente alguém que você gosta. "Se cuida" é mais para um "eu gostaria muito de estar aí para cuidar de você, mas eu não posso". Pessoas despercebidas não notariam, mas existe muito amor nessa simples despedida.
   Isso pode até ficar com um teor de palestra chata de autoconhecimento, mas leitura proporciona a interpretação que falta na vida das pessoas. Definições definidas chegam e partem, dependem de uma conversa com um estranho no metrô. Talvez da declaração daquele melhor amigo, ou, quem sabe, de um email enorme com três palavras somente: eu te amo. Não acho que os tempos estejam outros; o relógio demora pra completar uma hora da mesma forma que demorava antes. A diferença é que as pessoas sentem mais vontade de esbanjar felicidades momentâneas, que plantar uma semente e permanecer com alguém até a primavera, a tempo de ver a flor germinar. 
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Palavras

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   Ela criou milhares de frases, das quais as pessoas adoram usar, como se aquilo fosse curar a dor de um coração partido. Ele agia como se não se importasse com o sorriso que, falsamente, ela dedicava aos outros homens que passavam por seu caminho. Eles se separaram e não voltaram a conversar por conta de um orgulho sem sentido, e por conta de frases; frases essas que não passavam de palavras juntas, que, uma vez, foram ensinadas para alguém, que resolveu passar para outro humano e assim foi, até hoje. 
   Não adianta mentir, negar, rolar mais uma vez na cama, ou ouvir a música que te lembra dele: você não vai saber se ele está pensando em você. Provavelmente não. E eu sinto muito em ter que dizer isso, mas o dito cujo deve estar jogando video game, saindo com os amigos para ver outras meninas ou dormindo. Eu sei que você sabe disso, porém, ainda sim, deseja que ele pense em você também, só que isso só acontece quando ele não tem nada melhor para fazer. Ninguém gosta de aceitar que é a segunda opção, mas nesse caso a verdade precisa ser dita.
   Pessoas que vivem de palavras não vivem feliz. Elas se prendem em gramática, em vírgulas e pontos de exclamação. São linhas e linhas escritas e cérebros em branco, sem memórias para usufruir; coisas reais. Já os aventureiros, que gostam de beijar, de se molhar na chuva e de pegar o primeiro ônibus que passar, sem saber para onde ele vai, tem muito mais que páginas para preencher. Eles tem a incumbência de passar cada detalhe para seus netos, para que eles entendam como viver bem. Eu não vivo de ações, como deveria. Eu vivo de palavras, e não me orgulho disso.
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Um ano

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   Como eu deveria medir um ano? Normalmente, pessoas pegam um calendário, dividido em doze meses, e cada fechar de vinte e quatro horas, um dia se passa. Quando trezentos e sessenta e cinco dias se passarem, pronto, a contagem regressiva será feita ao redor de estranhos vestindo branco, ou de uma família que mais briga do que troca elogios.
   Eu poderia medir por sorrisos. Foram mil quatrocentos e vinte e três no último ano. Poderia ter sido vinte e quatro, mas quando ele veio até mim, enroscou aquele tecido vermelho em meu pescoço e sussurrou "pronto, amor, agora você está super-brava" fazendo referência àquela "capa" que ele havia imaginado, eu não sorri. Estava sorrindo por dentro, e o chamando de idiota, mas preferi manter a máscara de irritada e não lhe dediquei um ato de amor. Um sorriso, aliás, é a atitude mais verdadeira de que se tem conhecimento. Pessoas tentam o camuflar com falsidade, sorrindo quando o interior está em caos, e isso é o que define se o ano de alguém foi bom ou não. 
   Eu poderia medir por livros que alimentaram minha imaginação ou músicas que passaram por meus ouvidos, onde a letra foi sentida em minha pele. Poderia usar qualquer outra coisa que me faça feliz de verdade, uma vez que utilizar a quantidade de vezes que vi alguém abaixar o vidro do carro só para discutir com o motorista do lado não seja algo muito agradável de se recordar. A intenção de ter preferências pelo azul do que pelo amarelo é que você pode comprar mais roupas naquela coloração, por mais que você possa ter peças amarelas também. Não existem motivos para se martirizar somente com roupas amarelas, pelo simples lembrete que "nem sempre o que preferimos é o que temos de fazer". O que quero dizer é que um ano deve ser medido pelas coisas boas, e não pelas peças amarelas feias que você não gosta.
   Eu poderia medir por orações. Contando as conversas com Ele, sem um amém no final, foram duas mil cento e nove. Eu me perdi no meio do caminho, e faz tempo que não paro para agradecer, ou contar o que aconteceu no meu dia, como se fosse só um amigo me ouvindo, o que, de fato, era. Um amigo escutando. Um amigo com poderes. O que acontece é que nesse ano, entre as duas mil cento e nove orações e conversas, eu vi muitas pessoas tatuando corações na pele, para se recordarem de amarem a si mesmas. O que eu perdi nessas duas mil cento e nove orações e conversas, afinal? Qual o problema em entender que amor é ter equilíbrio entre o dar e o receber? 
   Eu poderia medir em abraços, em uvas passa que eu deixei de lado no prato, em pares de sapato novos, em chicletes mascados, em frases de impacto que eu li ou em amigos novos. Eu poderia medir com muitas coisas, mas mantenho-me como o resto das pessoas, e uso os dias. Não é engraçado que eu diga que adoro ser diferente, porém sou como todos os outros para algo tão importante como a rotação completa da Terra em torno do Sol? É engraçado também que todos os anos eu passe pelo dia do meu aniversário sabendo que foi aquele o dia em que eu nasci, mas passe pelo dia de minha morte e não faça a mínima ideia de que será aquele o fatídico dia que irão recordar o meu último suspiro. 
   Um ano pode passar rápido para quem o mede em coisas felizes, porém passa devagar para quem lembra das tristezas, dos choros, dos telefonemas não feitos e dos términos. Como você mede um ano?
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Um livro e uma música.

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   Ele sabia o quanto ela amava ler. Deve até ter lido alguns resumos de seus livros favoritos, e se arriscou em algumas páginas de uma literatura que não fazia parte do cotidiano dele. Era bonito de ver como os dois se olhavam, como se fossem aquele perfeito exemplar, onde, por diversas vezes, tomou outro rumo, que não o da prateleira, e alimentou uma imaginação em preto e branco. O amor deles não servia de exemplo, mas era bonito o suficiente para proporcionar suspiros para pessoas céticas.
   Ela sabia o quanto ele amava músicas. Acho que ouvi, por umas centenas de vezes, sobre como ela admirava o gosto musical do menino gelado. Ele tinha as mãos congelantes, porém um coração que a aquecia em madrugadas onde nem as estrelas se arriscavam mediante a tanto frio. Ela sorria, imaginando o dia que ouviria alguma melodia vinda de seus lábios. Ele, no entanto, era tímido demais para deixá-la ouvir a voz esganiçada e desafinada de um garoto que, no seu interior, só desejava ser amado.
   Eles não eram um livro do John Green, e nem eram atrevidos como em romances de Bukowski. Eles não tinham falas inteligentes, nem grandes filosofias. Eram duas almas, aproveitando um espaço de tempo indeterminado e rezando para que acabassem juntas. Ou até se separassem, mas que, em um futuro não tão distante, voltassem para seu caminho. Eles não eram melancólicos, como Band Of Horses, e nem animados como artistas pop. Eles eram ele e ela. O garoto que não acreditava ser bom, e a garota que queria ser boa.
  Um fato engraçado sobre eles é que ele não queria saber o quanto ela amava ler, e ela não queria compreender tão bem as letras das suas canções favoritas. Eles não queriam ser aquele casal. Mas eles eram. Eram lindos juntos, e eu não gostaria de estar colocando verbos no passado, mas, em diversas vezes na vida, temos que aprender a conjugar o tempo verbal certo; o que fará bem para todos os envolvidos, e não só para dois corações irracionais que se completavam em uma tarde chuvosa, em um canto do sofá. Eles eram, afinal, um livro e uma música. 
   Eu não soube o que aconteceu com eles. Não sei se acabaram se contentando em ser um estilo musical, ou se arriscaram-se em um mundo de vinis. Não sei se aprenderam a combinar diálogos com filosofias silenciosas, mas acho que um dia eu os verei de novo. Talvez juntos, talvez não. 
   É a vida, não é? Isso de não saber o que acontece amanhã. Porém espero, do fundo de um coração que só sabe combinar palavras aleatórias do dicionário, que eles notem que um livro e uma música podem ser o suficiente para manter um amor. Ou criar um novo, se for o caso.
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Shooting Star

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   Para os supersticiosos, existem coisas que representam sorte, como trevos de quatro folhas e ferraduras. Há também atos negativos, como quebrar um espelho, ou passar em baixo de uma escada, onde alguns anos de azar serão computados na lista da vida. Não sei se acredito nessas coisas, e decido que ele não está aqui comigo pelo simples fato de que eu não sou sortuda. Ou porque derrubei o saleiro. Não sei se me contento com a ausência dos abraços dele, ou se espero por um sinal divino. Ou uma espécie de bom karma aconteça. 
   Eu estava fazendo nada além de escutar Snow Patrol e desejar que ele ficasse comigo. Era quase uma rotina. Ler uns livros, estudar, comer, olhar o tempo deplorável no noticiário, e, entre a hora que eu cozinhava e me praguejava por não ter tomado banho mais cedo naquele mesmo dia, ele aparecia em minha mente. Então eu jantava, escovava os dentes, tomava água por não gostar do gosto da pasta de dente em minha boca, pensava nele e pegava uma roupa adequada para dormir. Tomava um banho, me vestia, deitava na cama, pensava nele e adormecia com um sorriso bobo nos lábios. Entre um ato e o outro, porém, parei e fui até a janela. Tinha neve nas calçadas, e os carros passavam bem mais devagar que de costume. Pessoas caminhavam pelas ruas como se competissem por quem está vestindo a maior quantidade de peças de roupa e eu estava ali, as observando com uma xícara de chá quente. Meus dedos, antes adormecidos, tentavam se aquecendo, e tornando a vida. Olhei para o céu escuro, onde algumas estrelas tímidas apareciam e, então, como em um daqueles momentos que você sabe que não é por coincidência, eu vi uma estrela cadente. Eu entendia que alguns apaixonados pelo mistério atribuíam aquilo a um momento de sorte, então eu, como boa humana, fechei os olhos e suspirei. Ele era o meu desejo. 
   "Eu desejo que ele pense em mim. Agora, nesse momento, onde quer que ele esteja, quero que ele lembre de como sorria quando estava comigo, e de como eu o fiz feliz. Pense que ela não o ama como eu o amo, e que seu maior erro foi não notar que a pessoa mais perto do certo pra ele, sou eu. A garota confusa, como ele mesmo resolveu me chamar. Eu desejo que ele pense em mim, e que volte para o caminho que jurou nunca sair".
   Abri os olhos e tomei mais um gole do líquido quente. Quase queimei minha língua quando, em um segundo virar de xícara, meu telefone tocou. Era uma mensagem. Meu coração disparou e eu larguei a xícara na mesa de centro. Minhas meias coloridas quase escorregaram no chão e eu fui até o confortável sofá cinza: meu celular está lá; um objeto inanimado que não sabe a importância que está carregando. 
   "Seu saldo expira em dois dias. Para receber os nossos planos, envie uma mensagem para o número *8000 e descubra qual o melhor para você!" Certo. Não há sorte, e nem existe gênio que sai de uma lâmpada mágica e realiza três pedidos. Meu chá ia ficando gelado, e, se eu quisesse que ele me abracesse outra vez, teria de descer para pegar um táxi e ir até sua casa. Estaria fazendo papel de tola, e, se a nova namorada estivesse lá, eu diria que foi só um devaneio da madrugada, e daria as costas outra vez. Naquele dia, porém, seria por minha decisão. 
   Não existem finais felizes, mas aquela estrela cadente me fez notar uma coisa: eu precisava rir. Aquela mensagem da operadora me fez rir de ironia, mas me fez rir. E era aquilo que eu precisava. Ele se foi, e eu ainda não sei se acredito em superstições, mas a vida não é feita de certezas, é? Não. Ela é feita de estrelas cadentes que não fazem seu trabalho, e de pessoas que as culpam por seus fracassos. 
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Esquece as aspas: As bipolaridades da vida

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   Não sei exatamente o que aconteceria se eu não tivesse a possibilidade de levantar e expor a minha opinião para algumas pessoas ouvirem, ponderarem se estou certa, se faz sentido, e, talvez, aceitarem minha tese. Não preciso de mestrado para saber que a política precisa de melhorias, e também não preciso da hipocrisia de cidadães cheios de razão, que fazem protestos, pedindo por honestidade, sendo que não possuem ética alguma. O maior problema da atualidade é que os burros estão repletos de certezas, gritando seus devaneios e os inteligentes estão repletos de perguntas, sussurrando suas dúvidas. 
   A sociedade prega que você não deve se envergonhar do que faz, e é por isso que estamos do jeito que estamos. Não é errado você abortar, mas é certo, perante a lei, que um pai tire a vida de um filho por dinheiro. Não estou falando do menino Bernardo, que foi brutalmente morto. Estou falando das Júlias, das Fernandas, dos Antônios, humanos que foram mortos, mas que seus assassinos estão soltos por aí porque seus casos não foram ao tribunal. Não quero colocar mais lenha na fogueira, mas sabe porquê existe tanta pressão em cima dos juízes responsáveis pelo julgamento do menino Bernardo? Porque o caso caiu na mídia como carne para cães famintos. Porque o noticiário se alimenta de barbaridades que, infelizmente, estão se tornando tão comuns, que nem comovem mais.
   Está certo que a vida é muito curta para tanta tristeza, no entanto é necessário associar o senso crítico com a vontade de ser feliz. Em vários dias, eu prefiro me manter alienada do que se passa ao redor de mim. Limito-me a olhar pela janela, ver a praça que existe em frente de minha casa, onde crianças brincam, velhinhos caminham lentamente, como se a vida não estivesse segundos mais perto de acabar, e pássaros cantam. Estou apegada em uma parte da vida em que é bela pela naturalidade. 
   Sem maquiagem. Sem sangue. Sem alterações.
  Eu tenho noção de que minhas palavras não mudam protestos, não mudam a fome, não muda a falta de respeito que a sociedade apresenta para seus semelhantes, mas, se eu fizer juízo ao que fui ensinada, não devo sussurrar minhas dúvidas: o que eu tenho feito para mudar a bipolaridade que está o "certo"? Porque hoje, nesse exato momento, tudo parece ter dois lados. O certo virou questão de opinião. 
   O certo não é questão de opinião, e eu ainda me comovo com funerais desnecessários. A única coisa certa na vida é a morte, porém assassinatos que ocorrem por um celular furtado alteram a ordem natural das coisas, onde são os pais que enterram os filhos, e, em algumas vezes, são os próprios por trás de facas afiadas, ou armas geladas.
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