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Vida é...?

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   Decidi que iria escrever para você. Suspirei pesadamente, com dor só de pensar no motivo, e enchi meus pulmões de oxigênio. Desejei, por um instante, ser como o ar, que muda em questão de segundos, somente com a ajuda de uma parte de meu corpo, mas recordei de que não é fácil me tornar quem eu desejava ser. Eu sequer sei qual seria a minha personalidade se pudesse escolhê-la. Não posso. E também não posso entender seus motivos para me deixar. 
   Músicas passaram a ser ouvidas com a alma, e não só com os ouvidos. Estou a entender canções que foram escritas mediantes a relacionamentos quebrados e decepções regadas a álcool. Não foi só a sua partida que me afetou e me fez desejar ser amiga de poetas, para procurar por palavras que me ajudassem a sair mais rápido dessa drama sem fim; foi você e a maneira rápida como me afetou. Afetar, nesse caso, não é um verbo ruim. É só... um verbo. Algo que aconteceu em um passado não tão distante, mas que arde como se fosse recente para que meus olhos lacrimejassem outra vez. 
   Odeio isso. Odeio cada segundo que está sendo desperdiçado, em torno de um circo de horrores, onde sinto que você nunca pensou em mim, e que eu não fiz diferença em sua vida. Algumas pessoas dizem que a vida é só um conjunto de momentos dos quais, no seu leito de morte, devem ser abandonados, mas, sendo mais honesta possível, eu acho que a vida é isso. É meu agora. É sofrer por você e saber que por mais que eu escreva um livro inteiro sobre como sinto sua falta, você não vai voltar para mim. A vida é conviver com pessoas e ser magoado por elas. A vida é você e suas mensagens, que, possivelmente, eram falsas.  
   Não estou com a mínima vontade de discutir o que era real e o que não era. Não me importo com isso. Você disse que acabou e eu aceito. Estou conformada. Só desejo saber a sua visão sobre a vida, para que, então, eu saiba se fui um momento, ou se fui, de verdade, o seu agora. Porque, meu amor, você está tão preso em mim, que acredito que será pra sempre o meu agora. Ou talvez não. Não sei.
   Por fim, perdoe-me pelas palavras, mas eu me apaixonei por você. E quando uma escritora se apaixona, ela eternizará o seu sentimento, e, consecutivamente, você jamais morrerá. 
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2 comentários:

  1. Amei o texto!!Me definiu completamente?Cada paragrafo,amei,está a cada dia melhor.
    BJS
    DDUA diario-de-uma-adolencencia.blogspot.com

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