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Telespectadora da vida

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   Ela rolou na cama tantas vezes, que perdeu as contas. Não teve cansaço que a fizesse fechar os olhos, porque o teto branco de seu quarto parecia ser muito mais confortável, afinal era lá, entre o nada e a respiração baixa, que fazia seu peito subir e descer, que ela se apegou para recordar do dia especial que tivera. Ela conheceu ele, e, como sempre tem um para roubar seu sono, e pagar sua culpa com sonhos bonitos, eles ficaram juntos sem nem ao menos descobrirem quando foi que aconteceu. Quando foi que se apaixonaram. 
   Eles, quando estavam afastados, eram como um piquenique sem toalha fofa; como dormir em um hotel e não sentir saudade de sua cama. Eles se completavam. O melhor de tudo era que os dois, com seus sorrisos genuínos e corações descompassados, não viam a vida de uma janela, sendo que fechavam a mesma quando a chuva chegava. Os dois, amando a vida, se apaixonando pelo que não possuía explicação, gostavam de ir para a rua e correr. Gostavam de sentir a chuva gelada em seus rostos, e, enquanto eram considerados bobos, se olhavam e sorriam novamente, achando que, finalmente, haviam encontrado aquela pessoa especial.
    Ele corria porque tinha um passado atrás dele que queria olvidar: o tempo que havia passado sem ela. Ela acelerava seus passos porque desejava ignorar o sentimento que havia exprimido por outro alguém. Os outros pareciam ser tão miseráveis, que mereciam ser esquecidos. Seja como for, eles não se importaram de perder noites de sono, ou de perder tempo com os amigos. 
   Os dois, com as mãos entrelaçadas, aprenderam que o amor é assim, estranho, simples e reconfortante. Então, invejando aqueles aqueles dois enamorados, eu notei que estava esperando para sempre. Esperando por alguma coisa perfeita, que jamais chegaria, pelo simples fato de que eu sim, via a vida passar pela janela e dizia amar a chuva, mas me mantinha afastada quando ela chegava. Nesse momento, eu aprendi a minha lição. Eles esperaram desde sempre, até encontrar um ao outro, e eu, esperarei para sempre, se continuar agindo como se fosse só uma telespectadora da vida.
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2 comentários:

  1. Chorei de verdade, me fez refletir! Lindo texto :))

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    1. fico feliz de saber que eu consegui mexer com seus sentimentos, Susan :)

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