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   Eu ouvi que decepção amorosa se compreendia por uma dor na região esquerda do peito. Superando a enganação dessa teoria, notei que seria melhor se fosse uma simples dor no coração e não o caos que realmente foi. 
   Houve uma fincada em meu estômago, que logo se transformou em um grande buraco, fazendo com que todas as borboletas que eu colecionava quando ele falava comigo fossem embora, sem um aviso prévio. Elas o imitaram, para falar a verdade. Imitaram ele, que já não passava de uma memória distante. Teve também uma vontade peculiar de tomar banho; eu só queria poder sentir a decepção sendo tirada de meu corpo, junto com a água. Talvez me iludir também na ideia de que tudo ficaria bem depois que eu me secasse e voltasse pra cama. Meus olhos estariam vermelhos por conta do choro, mas eu poderia dizer que só havia caído xampu ali.
   Não faz sentido. Meus olhos deixaram a paixão escorrer. Em questão de segundos, saio da cama para me aventurar até a cozinha e penso estar bem outra vez. Não era verdade, mas ninguém precisava saber, porque por fora eu continuava a mesma. Por dentro, a tempestade estava destruindo lentamente as coisas bonitas que ele havia dito e todas as sensações novas que ele tinha me presenteado, mas ninguém precisava saber. 
   E ninguém soube. Ninguém soube como eu afundei a cabeça no travesseiro, solucei e senti até meus lábios ficarem quentes, de tanto que o desastre estava consumindo meu corpo. Ninguém soube que eu estava tão envolvida que acabei sem saber como voltar para a superfície em tempo de ver o céu azul mais uma vez. Eu morri afogada em um mar de um quase amor que resultou em nada. Ninguém soube que eu morri, então, consecutivamente, não souberam da minha mudança. Mas tudo bem. Não vou mencionar a confusão mental, nem os efeitos colaterais em meu sono, pois penso que, se alguém disse que uma separação só dói no coração, então querem manter essa visão.
   Seja como for, o tempo foi meio que minha amnésia. Não curou, como um antibiótico deveria fazer, porém fez com que eu me esquecesse. Acho que nunca superamos algo que já significou muito; nós só nos afastamos de uma rotina que passou a expressar nada além de passado. E não vivemos de passado, não é? Vivemos de expressões feias, palavras bonitas e uma decepção mascarada de promessa. 
   Mas essa é a minha verdade.
   Qual é a sua?
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11 comentários:

  1. Tem um olho na minha lagrima!!Ameii,amei o texto,amei tudo,ja disse que amei?Não,amei o texto,muito iper,mega,ultra,power,fabuloso.
    Bjs ♡
    DDUA<>>>> diario-de-uma-adolencecia.blogspot.com

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  2. Cara vc é incrível! Sem palavras <3

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  3. Oi Bianca,
    Gostei da idéia do projeto e também deste texto!
    Não é só o primeiro término que dói, se houverem outros irão doer também, porque quando algo (um relacionamento) e alguém são importantes, a ausência vai doer.
    São pequenas mortes e renascimentos, mas que só nos fazem crescer. Uma pena que tenha que doer tanto!

    Parabéns pelo texto!

    Um beijo!

    Inventando Assunto

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  4. oi, oi.

    sei bem qual a dor do término. quase no fim do ano passado eu terminei um namoro e até hoje ainda não to 100% bem. saber que a outra pessoa não estará mais ao nosso lado é tão complicado... a gente até tenta distrair a mente, mas nem isso funciona.

    preciso dizer que o teu texto ficou incrível? me identifiquei com cada palavra. <3

    bjs!
    Não me venha com desculpas

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  5. Bunita valeu por sua visita em meu blog
    amei sue cantinho você escreve muito bem, até fiquei paralisada lendo
    bezo
    http://www.guriabunita.com.br/

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  6. Sem palavras.
    Me fez reviver meu primeiro término.
    PARABÉNS PELA ESCRITA IMPECÁVEL!

    Me chama de Bella

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  7. Nossa Parabéns pelo Post! Chorei, nossa como a descrição é impecável, dá palavras para os sentimentos conseguimos expressar quando estamos nessa situação...

    http://novembro29.blogspot.com.br/

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  8. Ai Bi, que dorzinha deu lendo isso. Passar por coisas assim doem e mudam a gente mesmo. Você escreve tão bem que espero que não tenha precisado vivenciar isso ainda pra escrever haha.

    beijo
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