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O efeito do mar

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   Um dia desses, eu vi você. Eu não faço a mínima ideia se você viu minha silhueta contra aquela luz fraca da lua, mas isso era algo que não importava. Não importava porque você estava com ela, e sorria como se aquele fosse o auge de sua felicidade. Eu não tinha alguém ao meu lado, para que eu pudesse sorrir fraco e mentir, dizendo que já havia superado você, mas isso era só mais uma coisa que não interessava a ninguém. 
   Você continuava com a mania de segurar a mão enquanto caminha e, meu amor, ver que aquela não era uma peculiaridade que só eu apreciava foi algo que machucou. Não era ciúmes, não era decepção e tampouco era medo de ser esquecida: era a falta de amor que você me endereçou. Podia ser um pouco do sentimento de perda, podia ser pela raiva de ter sido trocada, entretanto era mais pela vontade de ser amada; vontade essa que não foi preenchida. 
   Ela era linda, e vocês combinavam. Doía pensar daquela forma, mas era inevitável, porque eu não poderia mentir. O efeito que você tinha em mim era o mesmo efeito que as ondas do mar expressavam em mim. Você, assim como a água que vai e volta lentamente, era uma das coisas que mais me acalmava. Ouvir sua voz, era como sentar na areia nos pés, em um final de tarde, e escutar o silêncio. A água, lambendo a areia, e deixando rastros, era como o seu beijo; a areia ficava molhada e, por vários segundos, podíamos ver até onde ela estava indo. Talvez destruindo castelos, talvez fazendo buracos, cavados por crianças com seus pais, serem preenchidos novamente. Seu beijo me mostrava a direção da minha vida: você. O carinho que você me deu era bipolar: podia destruir meus castelos, representados por meus sonhos (afinal, você se recusou de ficar, e me deixou) ou podia rechear o meu vazio. O vazio proporcionado pela falta de cuidados vindo de outras pessoas. 
   O mar, ao contrário de você, estava lá no final de dia. 
   Você se foi em um momento que eu não tenho certeza. Eu não sei o dia, nem a hora, nem a situação, porém isso não importa, sabe? Não importa porque, ao ver seus lábios tocarem os dela, eu soube que ela não sentia nem metade do que eu sinto por você, e isso acalentou o meu coração, com vingança. Eu sei, meu amor, que uma hora ou outra, ela vai deixar você assim, sozinho, precisando do mar para silenciar seus pensamentos nebulosos.
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2 comentários:

  1. Passo no seu blog todos os dias, mas comento muito pouco..por conta do captcha. Hoje quando me deparei com esse texto eu gostei tanto que resolvi comentar.
    Lindas palavras..
    Beijão!
    modamonster33.blogspot.com.br

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    Respostas
    1. Nossa, Denise, fico muito, mas muito feliz que tenha gostado do meu texto. Aliás, que honra saber que você passa todos os dias por meu blog.. Obrigada por isso.

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