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O amor que me deixou

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  Olhe pela janela agora. Está caindo uma chuva tão forte, que ela parece ser intencional, querendo lavar os humanos pecadores das ruas inquietas e que foram testemunha de tantas histórias sem um final próprio. A minha e a dele, por exemplo, era uma dessas que ela havia visto, guardado no bolso e esquecido porque não havia sido bonita o suficiente. Ou marcante. Ou revoltante. Ou maluca.
   Era só uma história esquecida que a rua transbordada não lembrava.
   Eu gostaria de te escrever e perguntar como você está. Talvez recordar dos tempos felizes e questionar sobre seu dia. Perguntaria sobre seu trabalho, sobre ela e sobre seus filhos. Soube que eles fizeram uma participação na peça da escola, e juro que pensei em ir até lá com a desculpa de amar crianças. Mas eu sabia que todos que me encontrassem jogada naquela cadeira dispostas somente para pais orgulhosos, saberiam que eu era só uma mulher com um coração desbotado e remendado. Eu gostaria também de perguntar se você está feliz; se está naquele patamar da vida que você sabe que não existe a possibilidade de melhorar. 
   Sabe, quando eu era pequena, um professor que eu gostava muito chamou minha atenção, dizendo que eu estava falando demais. Aquilo foi na sétima série e eu cheguei em casa e quis chorar, decepcionada comigo mesma. Eu me cobrava demais naquela época e isso refletiu no resto da minha existência patética, porém agora sei lidar com regras e pressão. Você foi como aquele professor. Você chamou minha atenção para a realidade, dizendo que não estava mais feliz. Aquele professor me mostrou que era a hora errada para conversar, e você me mostrou que aquela era a hora errada para me apaixonar. Entre os dois, posso dizer que o desapontamento foi muito maior com relação ao professor. Eu esperava que você me deixasse um dia; não tão próximo, não tão rápido, mas eu esperava. Você sempre foi demais para minha pequena caixa de insegurança. 
   Olhe pela janela e veja a chuva cair. Como você está? Como foi seu dia? Ela te faz feliz? 
   Você tem até a tempestade passar para lembrar-se de mim, e então eu prometo esquecer e não desejar perguntar nada mais. 
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Não vou abaixar o som, mãe: Chase Atlantic

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   Para se fazer sucesso agora, vindo do nada, é preciso um E.P e esses três meninos, no seu primeiro, já me conquistaram. Sendo uma mistura perfeita de 5sos e The 1975, Mitchel e Clinton (irmãos) eram competidores no The X Factor da Australia em 2012, ficaram entre o top 10, e, com a ajuda de Christian, que veio depois, formaram a Chase Atlantic atual. A banda é uma mistura de um pop alternativo com indie rock, e o saxofone, tocado por Clinton, deixa o som dos caras ainda melhor.
   O Facebook deles não tem mais que seis mil curtidas, mas isso não demonstra em nada o talento desses australianos. A produção e as letras são tudo por conta dos três e o E.P intitulado "Dalliancé" possui cinco faixas, sendo que uma delas é uma versão remixada de "Gravity". 



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O final (feliz)

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   Sabe o que machuca de verdade? Cair e doer tanto que você simplesmente não consegue se levantar. Não é a questão da dor física; é mais um jogo psicológico maluco que te deixa tão triste que levantar sozinho não parece uma possibilidade. 
   Seja pelo motivo que você caiu, se machucar e não ter ninguém lá para te cuidar é como um lembrete de que você está sozinho e isso machuca de verdade. A dor física associada a solidão é uma metamorfose fatal para a felicidade. Eu estava sozinha, sabe? Não por opção, não fisicamente. Eu estava sozinha no sentido de desenhos de um coração não fazerem sentido. Um coração, um de verdade, que bate em meu peito, é só um arco que vai em direção do Sul e fica pontudo. Só faz sentido aqueles desenhos de dois arcos indo em direções opostas, ao Sul, quando são dois corações. E eu só tinha um. E eu queria outro. Mas ninguém estava disposto pra mim, e aquilo doía. 
   Eu nunca falava sobre meus desejos em voz alta, porque eu sabia que no fim todos somos idiotas egoístas que não se contentam com finais de livros. Você nunca está completamente satisfeito com o desfecho, e não adianta negar: se é romântico, você conclui que é de mentirinha; que nunca aconteceria com você. Se é triste, você fica irritado porque de infeliz já basta a realidade. Se é um final aberto, você preferia fechado. Se é fechado, você queria aberto. Nunca estamos saciados, não é?
  O que é interessante sobre a dor é que chega num ponto que ela não machuca mais; ela só é um sentimento que você aprende a conviver. Assim como alguns aprendem a se virar sem um braço ou uma perna, a dor te ensina a se virar do avesso e esconder tudo dentro, onde ninguém vai ver. E tudo bem se, pela primeira vez, você estiver bem com o final; isso só indica que você está mais inclinado a aceitar que, de um jeito ou outro, tudo acaba. 
   Talvez eu ainda esteja sozinha quando for o meu fim, mas acho que vou ter que aguentar toda e nenhuma dor pra descobrir. 
   
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Por que amar Manhattan Love Story?

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   Manhattan Love Story, a nova comédia romântica do canal americano ABC, é simplesmente a série mais engraçada que eu já vi na minha vida. Misturando romance e muitas risadas, a história se desenrola em torno de Dana e Peter,  que se conhecem através da melhor amiga dela, que é casada com o irmão dele. Eles são arranjados em um encontro, e, com todas as situações mais idiotas acontecendo nesse primeiro jantar, eles acabam se odiando. Mas então, o que era raiva - e ego da parte dele - se torna um carinho mais.
   Eu tenho motivos concretos para estar viciada nesses três episódios que já estão disponíveis, além de ser uma garota que se derrete por tudo que envolve romance. Primeiramente, a personalidade e o estilo da Dana. Ela é uma mulher que se mudou para NYC atrás do sonho dela, e é inocente, acreditando no melhor das pessoas, não sabendo como usar as redes sociais direito. Esse jeito meigo, sem malícia, acaba sendo refletido na escolha de suas roupas. Cardigans e vestidos fofos são sempre aliados dela. Segundo, o lugar. New York City. Quem não adora a cidade, mesmo sem nunca ter ido lá? O cenário está sempre arrancando suspiros de mim, porque, honestamente, as ruas, os prédios, tudo me deixa vidrada na cidade que nunca dorme. E em primeiro lugar, o moço. A participação de Jake McDorman deixou a série visualmente muito melhor, vamos combinar, né?
   Manhattan Love Story vai ao ar nas terças, e vale muito a pena assistir, porque quem não se identifica com amor e situações constrangedoras?

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Não vou abaixar o som, mãe: Tove Lo

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   Perdoem-me se "Stay High" é tão famosa no Brasil quanto é aqui e todo mundo já está cansado de saber da Tove, mas eu tinha que falar dessa sueca que está causando todas aqui nos Estados Unidos. 


"Eu não estou drogada; só estou apaixonada. Você está alterado o suficiente pra mim. Mais leve, mais brilhante, escolho as maiores estrelas que eu acho e eu estou viagem, viagem, viajando no meu estado de mente"
-  Not On Drugs

   Tove Ebba Elsa Nilsson tem quase trinta anos e é por isso que ela me lembra tanto da Katy Perry, mesmo com um estilo musical tão diferente. A voz dela é muito parecida com a da britânica Ellie Goulding, mas a versão ao vivo dela é muito melhor.


"Dizendo 'o tempo vai curar'. Você continua mentindo pra me fazer sentir bem. Então você acredita mesmo que eu te esqueci? Sério?"
- Out Of Your Mind

   Tove Lo nasceu em Estocolmo, na Suécia, em 2012. Sua primeira música foi "Love Ballad", mas o sucesso mesmo veio com "Habits" ou "Stay High", que tem um clipe quase digno de Miley Cyrus, mas com uma letra melhor. O primeiro E.P foi lançado ano passado e se chama "Truth Serum", mas, pra ser honesta, prefiro as músicas do "Queen Of The Clouds", que é o primeiro álbum dela.







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Porcaria, a pipoca queimou: You're Not You.

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Pra quem gostou de: Os Intocáveis.
Status: vai estreiar. 
Indicaria: Sim, mas é bem dramático.

   Falar sobre doenças que não só ameaçam a vida, mas também colocam a rotina em uma divisão de dores e impossibilidade é algo complicado. Assim como no filme Os Intocáveis e o livro Como Eu Era Antes De Você a temática do filme americano "You're Not You" é a mesma: pessoas que sofrem de uma doença e que não enxergam mais alegria na vida. Os enredos são diferentes, porém, de seu jeitinho particular, cada história nos faz valorizar mais a vida.
   "You're Not You" é originalmente um livro da autora Michelle Wildgen, do qual eu não li, então não posso dizer se o amontoado de palavras foi tão bom quanto esse filme, mas, para ser bem honesta, acho que fica muito difícil, porque o longa metragem em si já é ótimo. Bec é uma estudante de faculdade que não tem esperança para um futuro melhor; sua vida amorosa é das mais erradas e ela não se importa de agir sem pensar nas consequências. Até o momento que ela se vê cuidando de Kate, uma pianista diagnosticada com ELA (a famosa doença do balde de gelo).
   Bec, mesmo sem rumo na vida, consegue dar um norte para Kate e seu (lindo!) marido. O filme, mesmo sendo muito emocionante e triste, te dá um ponto de vista, onde você se recorda que mesmo sem a perfeição, mesmo sem ter uma vida normal, pessoas podem te fazer ter momentos de felicidade extrema.

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SheInside

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   Comprar pela internet é uma coisa cada dia mais comum. Além da praticidade no pagamento, as peças lindas (que são difíceis de encontrar normalmente em lojas perto de nós) são mega baratas nas lojas gringas. Uma das principais lojas entre as blogueiras, é a SheInside, e eu não fico de fora em dizer que é uma das minhas favoritas, porque tenho uma paixão enorme pelas roupas de lá. 
   Nesse mês, as promoções incríveis me fizeram aproveitar que estou aqui nos Estates e encomendar algumas peças. O frete é grátis acima de trinta dólares, o que não é nada difícil de se gastar, e eu sempre aconselho a comprar vestidos e saias um número maior por causa do comprimento. Como tenho amor eterno por vestidos e suéters, resolvi fazer um post dando uma prévia do paraíso que é a coleção atual. 





Primeiro - Segundo - Terceiro - Quarto

   Essa semana, até dia dois de novembro, rola uma mega promoção no site. Acho que seria uma boa pedida pra aproveitar e levar tudo que você viu lá e pensou que precisava ter.


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233/1

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   Sabe o que você sente falta quando não existe nenhuma face conhecida por perto? Sabe o que mais machuca quando você sabe que não vai dormir na sua cama por um bom tempo? Sabe o que incomoda, ao deitar a cabeça num travesseiro que demorou semanas para ficar com seu cheiro? Sabe o que grita no pé do seu ouvido, quando escuta um "I love you"?
   Quando você se prepara para um intercâmbio de um ano, nunca pensa no que vai sentir, no que vai machucar, no que vai incomodar e no que vai ser gritado para você. É como uma montanha-russa alta, cheia de curvas, cheia de momentos que farão seu estômago chegar na garganta. Você está na fila, e procura não pensar no que acontecerá quando não puder mais sair do brinquedo. Você procura ignorar e pensar em outra coisa além do medo. Ficar longe de casa, sabendo que não vai voltar pra sua família no Natal, que vai passar seu aniversário com pessoas que associam seu nome com seu rosto, mas não com o que sentem de verdade por você, é como ficar preso na montanha-russa que faz seu estômago parar onde não devia.
   Sinto falta de tudo. Cada detalhe, cada pedacinho de rua, cada momento de liberdade num completar de intersecção entre dois pontos usando um ônibus com várias pessoas suadas e cansadas. Sinto falta de pessoas, de seus cheiros, de suas risadas e de seus abraços. Machuca quando vou dormir e não tem aquela janela aberta, no frio ou no calor, por onde eu podia ver o céu escuro e ouvir pessoas sendo felizes, ou sendo tristes. Incomoda saber que meu perfume não está mais na roupa de ninguém, por culpa de meus abraços apertados. Eu escuto um grito, cada vez que alguém diz que me ama aqui: eles podem me amar agora, mas quem está longe, está um dia mais sem mim, e isso fica mais perto de me esquecerem.
   Quando decidi vir, eu sabia que o esquecimento era inevitável. Ficar meses sem fazer alguém feliz, sem compartilhar seus ganhos e suas perdas; isso tudo esfria todo e qualquer amor. Eu sabia disso, mas não me importava porque estava cega pela novidade. Agora que não existe a possibilidade de sair da montanha-russa, estou me perguntando sobre como sair, quando o brinquedo já começou a andar; como não ser esquecida, quando não existem memórias recentes; ou como chamar de casa, aquilo que não sei se ainda é meu.
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MTV

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    O que mais existe por aí são seriados interessantes. Alguns se tratam de novas histórias sobre heróis, alguns são sobre assassinatos sendo resolvidos e alguns servem mesmo pra dar umas boas gargalhadas. No entanto, seriados adolescentes - feito com adolescentes para adolescentes - são raros os que chamaram minha atenção e que não são no estilo Vampire Diaries. A MTV, que sempre foi associada por mim como um canal de música, tem criado uns seriados muito bons, com enredos criativos, inovadores e que vale mesmo a pena ficar ansiosa por uma semana para saber o que vai acontecer no episódio seguinte. Eu já assistia Catfish, que não é um seriado em si, mas que passa no canal, porém confesso que fiquei impressionada com a qualidade dos shows americanos.

Finding Carter.
   O que você faria se descobrisse que a mulher que você chamou de mãe toda sua vida, fosse, na verdade, a pessoa que sequestrou você quando tinha três anos? Carter, depois de uma noite na prisão, acabou descobrindo que essa era a verdade que ela tinha de engolir: a sua verdadeira família era uma completamente diferente do que a que ela sempre acreditou. Tendo uma mãe policial, um pai escritor (que seu best seller era sobre ela; sobre a filha que havia sido sequestrada), uma irmã gêmea e um irmão esperto e invisível, Carter tem de aprender a lidar com a confusão em sua mente, decidindo se foge, ou se acaba se apegando aos motivos certos e continua com os estranhos que, aos poucos, ela decide amar. 



Faking it.
   Karma e Amy são amigas desde sempre, e, por acidente, são consideradas um casal e assim se tornam populares. Karma, certa de que não é lésbica, vê dessa oportunidade só um jeito de ficar conhecida por todos e ter a atenção de Liam, o cara mais gato possível. Já Amy continua nessa situação só porque quer ver a amiga feliz. E porque nota os sentimentos que realmente tem por Karma. 
   Num triângulo amoroso mais esquisito possível, a história se desenrola, repleta de piadas, momentos constrangedores e confissões.




Happyland.

   Quando você trabalha num lugar perfeito, repleto de felicidade, sorrisos e momentos agradáveis sendo compartilhado entre famílias e casais/amigos, fica difícil considerar um trabalho ruim. Ainda mais quando você tem um homem lindo para melhorar ainda mais seus dias. Lucy, que trabalha em um parque de diversões gigante, não tinha nada do reclamar, considerando que basicamente essa era a vida dela.
   Mas, como nada é perfeito, segredos vão arruinar seu parque de diversão logo logo, e é baseado nisso que se passaram os oito episódios dessa primeira temporada de "Happyland", que estreou semana passada na MTV americana. 




Awkward.
   Contrastando com a aparente perfeição de Happyland, Awkward, série que já está na sua quarta temporada, é completamente baseada nos pontos baixos da vida de Jenna, uma adolescente nada popular, que (primeira temporada) acabou escorregando no banheiro do quarto e acabou se tornando a "suicida" do colégio. A situação terrível, porém, deu espaço para sua vida amorosa com Matty, o bonitinho que não queria ser visto com ela por vários episódios.
   Na temporada de agora, sempre mantendo o humor e a pena mortal de Jenna por ser tão azarada e tola, explora uma parte mais adulta, sendo que Jenna tem de lidar com problemas maiores do que ter um relacionamento secreto com o popular garanhão do colégio. 



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Casamento

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   Por que homens se ajoelham para pedir a mão da moça em casamento? Fazemos coisas sem ver o significado por traz de todos os símbolos, mas eu tenho minha teoria para esse ato comum, que é descrito em livros, que nossos olhos vivenciam e que nossas almas se aquecem, só de imaginar o dia em que será a nossa mão sendo segurada.
   Nervoso, o homem apaixonado coloca seu joelho no chão, e olha para a mulher com quem decidiu passar o resto da vida junto. De baixo, ele olha para ela, temeroso pela resposta, ansioso pela reação dela. Ele observa suas expectativas crescerem, e, por um segundo, imagina todo seu futuro. Pensa em como vai ser acordar sempre ao lado dela, imagina nos filhos que terão, na casa que compartilharão, nas brigas que só vão acontecer porque ninguém é perfeito, mas que logo serão superadas. De baixo, ele sonha com o que o resto da sua vida vai ser. De baixo, ele olha pra cima, pro que vem depois.
   De cima, anos depois de casado, anos depois de ter se ajoelhado, ele olha para baixo. Observa a lápide com o nome de sua amada com pesar. De cima, ele pensa em todas as expectativas superadas e as decepções, porque ninguém vive só de ganhos. De cima, ele lembra dos sonhos que se tornaram realidade e das realidades que, naquele momento, são só sonhos. Olhando para baixo, onde a mulher que ele amou está enterrada, ele sabe que se ajoelhou décadas atrás só porque queria mostrar que, naquele singelo momento, ela era o mundo dele, que ele se humilharia por ela, colocando-se em uma posição desconfortável.
   Agora, enquanto eu escrevo isso, alguém está sendo pedido em casamento. Tendo se ajoelhado ou não, eu espero muito que eles pensem que é pra sempre. Espero que desejem estar junto um do outro de verdade, de todo o coração, porque estou cansada de pessoas discutindo sobre a vida do próximo, mas não amando nem mesmo o próximo com quem divide a cama.
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248/1

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   Faltam duzentos e quarenta e oito dias pra que eu volte pra casa. Sabe, quando coisas boas acontecem, você não quer saber a data pra essa coisa boa acabar. Ninguém conta as bolachas que ainda estão no pacote: eles contam as calorias e quantas já foram ingeridas. Minha viagem (se não sabe do que eu estou falando, tem uma explicação aqui e aqui) é exatamente como esse pacote de bolachas. Estou ingerindo os dias que já se passaram e contando as momentos que já fiz. Até agora. Hoje foi o dia em que eu parei pra ver o tempo que falta; as bolachas que eu ainda não provei.
   Quando eu estava em casa, era como se meu nome fosse o que fizesse as pessoas sorrirem, ficassem animadas, ou mesmo não gostassem de mim. Meu nome me representava. Agora, aqui, nada me representa; nem um nome, nem minha personalidade, nada. Sou só uma junção de letras que saem erradas da boca de estranhos. Chamam meu nome e eu sei que não existe afeição, e isso soa triste pra mim. Sinto falta de amor. Sinto falta de bom dias calorosos, e falo de amor que esquenta a alma e não do que queima as bochechas.
   Ainda sim, como não dizer que estou animada por ver neve e para sair por aí com fantasias malucas no fim do mês que vem? Eu estou. Como não dizer que estou feliz por ter conhecido pessoas que estão me tratando como filha? Como não dizer que estou feliz por aquele estranho que eu abracei na igreja ter me dito que nem mesmo suas filhas o abraçavam do modo como eu fiz? Como não dizer que é uma experiência importante e que mudará minha vida? Não tem como dizer, e é por isso que eu não digo. Viajar, seja pelo tempo que for, é uma das melhores coisas do mundo. Agora pergunte o motivo para essa afirmação ser verdadeira e você obterá as mais diversas respostas. Minha versão, por exemplo, exemplifica a minha personalidade, sempre movida pela emoção: a saudade.
   No ápice da noite, me pego pensando sobre arrependimentos. Pergunto-me se tomei o caminho certo, ou se esse sentimento de estar correndo com uma âncora amarrada no sapato é só devido as novidades. Chego num ponto onde sei que estou perdendo momentos, mas não me importo. Viajar pra mim é a melhor coisa do mundo por conta da saudade: se alguém sente sua falta, mesmo que não diga, mesmo que não demonstre, você descobre, com uma simples viagem, o quanto é importante. E é isso que faz tudo valer a pena.
   
 
   
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Visto/Passaporte

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   Viajar pelo próprio país sem passaporte é tranquilo, mas é impossível viajar pro exterior sem esse documento. O passaporte é feito na Polícia Federal da sua cidade, então é muito mais prático do que o visto em si, que envolve uma burocracia interminável, mas que não deixa de ser importante.
   
   Como fazer o passaporte é algo que as pessoas não se preocupam muito, vou só deixar o link necessário para fazer a marcação e tudo mais, e ali mesmo terá as instruções. Meu foco é o visto, porque existem um bando de dicas e mentiras pra esclarecer, começando por "o visto é muito complicado de se conseguir". Essa sentença pode até ser aplicada para um homem-bomba, mas para um estudante, que tem a matrícula já feita (porque sim, você só cuida desse tipo de documento quando tudo está certo; quando seus documentos foram aprovados e as vias assinadas pelo diretor da sua escola americana já chegaram no Brasil e estão na sua mão) e nenhum motivo para apresentar perigo para o país, é mais que certo que não será negado. 

   Para o visto, é quase o mesmo processo para o passaporte: você separa todos os documentos necessários, paga todas as taxas (que ficam em torno de duzentos dólares, sem contar a passagem de avião e estadia, caso você não esteja em São Paulo, Rio, Recife, Belo Horizonte ou Brasília) e só então que tem que fazer algum tipo de entrevista. Os primeiros processos são pela internet, reservando data e pagando o boleto, e então você separa dois dias para resolver isso, sendo que o primeiro dia é para tirar foto e impressões digitais, e o dia seguinte é a fatídica entrevista em si.

   Na entrevista, a única coisa que se pode fazer é dar dicas, mas saiba que cada caso é um caso. Não me foi pedido nenhum dos documentos que eu levei (e eu levei muitos), mas para algumas pessoas é até requisitado o application. Os documentos necessários são passaporte, DS-160 (que é um documento preenchido em inglês, que define você como 'americano' por um certo tempo), declaração do imposto de renda e contra-cheque dos seus pais, certidão de nascimento, documentos da sua escola, documentos referentes a viagem, como aceitação na escola americana e - melhor prevenir que remediar - comprovantes de residência e qualquer documento adicional que você ache que possa ajudar. 

  No dia da entrevista você não pode entrar com nenhum tipo de dispositivo eletrônico, nem mesmo pen-drive. Na frente dos consulados, geralmente, existem guarda-volumes, e eles custam em torno de cinco, dez reais. 
  Caso você seja menor, tenha em mente que um dos seus responsáveis legais precisa estar presente.
   Sua agência irá indicar uma consultoria para fazer o visto, e eu indico que aceite, mesmo que isso requeira uns duzentos reais mais. Fazer o visto é um processo com vários documentos e, se você chegar na hora e não tiver algum papel necessário, seu dinheiro será rasgado com sucesso.
   Chegue com antecedência, porque até eles revistarem todos (o processo é feito em grupos e, na minha vez, tinha umas dez fileiras), e passar por todos os "estágios" de entrega documento, revisa documento, tira o cinto e até casaco com zíper (sim, eles pediram isso), sua hora já chegou, mesmo que chegue duas horas antes - que foi meu caso.
   Não fique nervosa/nervoso, porque eles não têm a intenção de negar o visto por serem malvados e por quererem que você só gaste seu dinheiro e tempo; eles têm essa burocracia toda para tentar manter seu país um lugar seguro. 
   Ou pra que não fique pior. 
   
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Não vou abaixar o som, mãe: Example

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  Eu estou muito, muito longe de ser uma pessoa que gosta de baladas, então é raro ter alguma música eletrônica saindo pelos meus headphones discretos e roxos. Para os iniciantes de eletrônica, o máximo que se tem é o DJ Calvin Harris, mas a minha iniciação é Example. 

"O nosso amor parece errado, por favor, volte. Nosso amor parece errado, não consigo esconder as falhas. Eu garanto que você vai sentir a minha falta, pois você mudou o jeito como você me beija"
- Changed The Way You Kissed Me


   Elliot John Gleave, é (pausa no post pra dizer que é, sou muito previsível, mas...) britânico e tem trinta e dois anos. Seu nome artístico veio da abreviação E.G, que em latim significa "exempli gratia", tendo a tradução por "por exemplo", "example". Seu estilo é bem diferente de Calvin, e talvez seja por isso que eu prefira ele. Suas músicas são não tão pop e os recursos de eletrônica que ele usa soa mais "dançante" aos meus ouvidos. 



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Aplication

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   No último post falei sobre aspectos básicos de um intercâmbio, mas deixei uma parte muito importante para depois: o application. A tradução literal para 'application' significa currículo, então isso já te dá uma ideia do que se trata. 

   No application você precisa preencher uns trinta papéis, sendo que existem coisas das quais você vai precisar da sua mãe, dos seus professores, e até de médicos. Basicamente são cartas de indicação, comprovantes de vacinas, fotos, papéis da escola brasileira e assinaturas. O problema com o application é que é muito extenso, e você não depende só da sua boa vontade. Por exemplo, eu peguei a papelada em setembro, e só consegui entregar em dezembro, e isso implica em outra dica: planejamento. Se você quer viajar em agosto, começar um ano letivo para ficar um ano, então é melhor que se prepare um ano antes. 
   
   Uma parte do application é sobre você, afinal, se quer ficar quase um ano na casa de estranhos, então que sejam um pouco parecidos, certo? Então, primeiro você escreve uma carta falando sobre seus costumes, o que gosta de fazer, o que gosta de comer, e depois responde um longo questionário com coisas tipo "você gostaria de ter irmãos?", "tudo bem se tiver um fumante na casa?", "você tem alergia a alguma comida?" para que a agência que você escolheu possa tentar te encaixar no melhor lugar possível, então nada de mentiras só parecer ser bonzinho. Obviamente, uma coisa tem que se ter em mente é você está aqui para se adaptar com as regras deles, com a rotina deles, porém é sempre bom ficar num lugar agradável e mais compatível possível. 

   Depois de completar o application, demorará em torno de um mês para se ter qualquer tipo de retorno. Eu recebi a definição da cidade para a qual eu iria em fevereiro, e as informações da minha família só chegaram em junho, ou seja, dois meses antes de eu embarcar. Essa questão de receber a família e confirmações varia muito de agência para agência, então, não surte por aparentes demoras.  

   O próximo assunto que vou falar vai ser visto/passaporte, mas qualquer dúvida, é só perguntar.
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Uma carta pessoal para a saudade

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   É difícil lidar com coisas das quais você nunca teve que se imaginar fazendo. Deixar momentos para trás, lugares que você chamava de casa e cheiros que estão guardados na sua memória como se fosse uma caixinha de felicidade. Pessoas ficam para trás daquele avião e você não pode fazer nada além de lamentar e desejar que eles não te esqueçam. O problema é que, eventualmente, elas esquecem.
   Dizem que quem ama, nunca esquece. É verdade, creio eu. Mas quem ama, odeia o fato de não estar junto. Quem ama, compreende. Quem ama, seja na situação que for, odiando, compreendendo, sente falta. Não é como nos filmes, que em questão de segundos, meses se passaram. Não é como nos livros, que quando você voltar, eles vão estar lá, sorrindo. Não é como em músicas, que ocorre uma metamorfose na tristeza e ela vira sucesso. Não é como nos poemas, onde a dor é bonita. A saudade é o sentimento mais verdadeiro, que você não tem como fingir, nem tem como fugir, e é por isso que não sei o que é mais trágico: continuar procurando meus amores por onde quer que eu vá, ou que eles nunca estejam lá. 
   Eu sinto sua falta, mas não sei demostrar. Eu sinto você em cada dia, em cada momento que não estou por perto. Eu sinto muito por não estar mais a uns minutos de distância para que, no momento que você precisar, eu largue tudo e vá descobrir como te fazer sorrir outra vez. Eu sei também que dizer tudo isso não mudará nada, no entanto, é necessário que seja dito, porque, caso um dia decida olhar para trás, terá minhas palavras como testemunha. E em cada vírgula, em cada letra, em cada palavra sofrida, você está aqui. E é por isso que eu amo você. 
      Não é a intenção de ninguém, porém é assim que tudo funciona; é assim que a sutileza da presença na rotina se apresenta: quem não é visto, não é lembrado. Prepare-se para ser esquecido por quem um dia prometeu nunca te deixar.
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Ready? Go. Read: Simplesmente Acontece

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Ano: 2015
448 páginas
Editora Novo Conceito
Autora Cecilia Ahern

   Algumas vezes você encontra um livro que te marca tanto, que você acaba sabendo que irá lembrar da história até uma melhor aparecer e levar a outra narrativa para a terra do esquecimento. "Where Rainbows End" ou "Love, Rosie" é um bom exemplo. Escrito por Cecilia Ahern, autora de P.S, Eu Te Amo, essa história vai se tornar filme nessa ano aqui nos Estates, sendo que conta com *suspiro* Sam Claflin e Lily Collins. No Brasil, a estréia é dia primeiro de janeiro do ano que vem.


"Como a vida é engraçada, né? Bem na hora em que você pensa que está tudo resolvido, bem na hora em que você finalmente começar a planejar alguma coisa de verdade, se empolga e sente como se soubesse a direção em que está seguindo, o caminho muda, a sinalização muda, o vento sopra na direção contrária, o norte de repente vira sul, o leste vira oeste, e você fica perdido.

   "Where Rainbows End" é uma espécie em especial, sendo que é contado entre cartas, emails, mensagens instantâneas, artigos de jornal e bilhetes. Esse foi o primeiro livro que li que não havia uma narrativa tradicional, mas, diferente do que eu pensava, foi fácil de acompanhar, dando perfeitamente para entender a história entre Rosie e Alex, que são melhores amigos desde que se conhecem por gente. Eles fazem tudo juntos, estão sempre em contato um com o outro e se amam. No entanto, quando chega o último ano do colégio, ele tem que se mudar para Boston, e deixá-la para trás. Uma amizade sobrevive com a distância? A deles sobrevive, mesmo com muitos baixos, e alguns (breves) altos. 

"De: Rosie
Para: Alex
Obrigada por acreditar em mim, Alex. Adoraria poder retribuir esse abraço e esse beijo agora mesmo! Mas, por outro lado, talvez algumas coisas estejam mesmo fora do nosso alcance.
De: Alex
Para: Rosie
Mais uma vez, Rosie, você não está esticando o braço o suficiente. 
Estou bem aqui. Sempre estive e sempre estarei."

   O livro é bem parecido com "Um Dia", de David Nicholls, mas o final e as reviravoltas são tão inesperadas que você vai ficar sem saber se ama ou se odeia os personagens. As quatrocentas páginas são passadas rapidamente por conta da linguagem coloquial, e o que eu mais gostei foi que mostra a realidade (exceto pelo final) de que a vida nem sempre é o que esperamos. Muitas vezes temos de fazer o que não nos convêm, pelo simples fato de que existem outras pessoas envolvidas. 


Engraçado, porque, quando a gente é criança, acredita que pode ser tudo o que quiser , ir para onde se tem vontade. Não há limites. Você espera o inesperado, acredita em mágica. Aí você cresce e a inocência acaba. A realidade da vida mostra a sua cara e você se sente golpeada quando constata que não pode ser tudo o que quer e que só precisa se conformar com um pouco menos do que aquilo que havia imaginado.
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As coisas mudam

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   Você pode fazer birra como criança, pode parar de usar relógios para não saber do tempo, e pode até decidir dizer que não se importa, mas, meu amigo, as coisas mudam. Elas mudam, e você nem consegue ver de onde veio o vento que te fez recordar daquela abraço que já não está te envolvendo. Algumas vezes elas são sutis, outras acabam sendo tão drásticas que você vai acabar precisando de um remédio pra dor de cabeça, mas, entenda, mudanças acontecem para que a vida continue.
   O fato que você tem que conviver é esse: as coisas mudam. O que vai fazer sobre isso? Espernear, resmungar ou aceitar? Seja a reação que você esboce, ninguém vai se importar de qualquer forma, mas é essencial que você reaja. Isso é o que difere as pessoas, não é? Não a cor delas, nem a raça. O que difere as pessoas é a forma como elas reagem a uma mudança. Pessoas boas aceitam, e se adaptam. Quase uma mistura entre a teoria do Lamark e do Darwin, sabe? O que se adapta melhor ao meio é o mais forte, e sendo o mais forte, será o que vai sobreviver. 
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Não vou abaixar a música, mãe!: Racing Glaciers

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   Sobre aquela história de não pesquisar exclusivamente bandas britânicas: eu juro, mantenho minha palavra de que não faço isso. Mas a verdade é que o som dos caras que me envolve mais do que dos outros... O que fazer? Acho que é por essa pegada mais indie que, de fato, é minha favorita.
   Racing Glaciers é uma das bandas menos conhecidas que eu já indiquei, mas isso não diminui o talento deles. Igual ao Amber Run, são cinco homens, mas dessa vez são de Macclesfield, que fica no condado de Cheshire, na Inglaterra. Tim, Danny, Matt, outro Matt e Simon soman quatro mil curtidas no Facebook e menos de seiscentos inscritos no canal deles do youtube, e o terceiro EP deles, o "Don't Wait For Me" está para sair dia dezoito de agosto.









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Porcaria, a pipoca queimou: C.O.G

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Pra quem gostou de: honestamente, não sei.
Status: estreiou. 
Indicaria: Nunca.

   C.O.G é um filme estadunidense que estreou no ano passado, e tem a história baseada em um texto do livro "Naked" de David Sedaris. No longa, David, que decide sair de sua vida comum, vai para uma pequena cidade onde, inicialmente, trabalha colhendo maçãs. Depois ele passa para uma fábrica de maçãs e devido a uma situação ruim, tem de sair de lá e, então, recorre à Jon, um cristão ex-bêbado que perdeu a perna na guerra e produz relógios feitos a partir de pedras. 
   Não há muito o que se dizer da história, sendo que Samuel, o nome que David preferiu que o chamassem, vai de um canto a outro, à mercê de uma alma caridosa que o ajude, sendo que seu primeiro "amigo" quis tirar vantagem dele. De uma forma nada agradável. Minhas expectativas para o filme eram enormes, uma vez que C.O.G era uma sigla para "Cildren Of God", ou seja, Filhos De Deus, mas quando notei que o tempo estava se esgotando, eu soube do desperdício de tempo. 
   Esse longa faz com que a visão das pessoas nos cristãos seja a pior possível e, por mais que mostre os reais perigos de sair sozinho, as pontas soltas e o exagero com a maldade fez com que fosse cansativo e irritante. Sendo bem honesta, a única coisa que sinto é desprezo depois de ter perdido oitenta minutos da minha vida notando que a única coisa que a mídia tenta representar é que as pessoas que acreditam em Cristo são loucas e que muitas delas são falsas. Não entendo como essa história pode ter tido a maioria das críticas positivas, e isso nem é muito pelo fato de eu acreditar em Deus, e sim por uma questão de que esse filme não acrescentou em nada na minha vida. 
   Por outro lado, Jonathan Groff teve uma ótima performance, mesmo que eu desejasse que ele interpretasse outras personalidades na ficção. Ele é um ator convincente e que faz com que você sinta as emoções dele, mas acho que se ele escolher seus personagens que tenham somente a mesma opção sexual que ele, estará limitando sua área de atuação. 
   C.O.G tinha tudo para ser um bom filme, mas minha nota vai ficar negativa para ele.
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Introdução do intercâmbio

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   Quando se está viajando, é muito complicado manter as redes sociais em dia, quem dirá um blog, e é por isso que eu estou um bom tempo sem escrever aqui. Eu tive um leve problema em falar na frente de uma câmera, então resolvi que ainda sim vou ajudar e compartilhar minhas experiências nos Estados Unidos com os leitores do blog e com as pessoas que simplesmente desejam saber mais da possibilidade sobre fazer um intercâmbio de um ano, mas de uma forma diferente.

   Primeiramente, um intercâmbio de um ano é feito por uma agência especializada, e não por uma escola em si. Eu contratei a CI porque eles têm um bom nome no mercado, e como eu nunca havia feito nada disso antes, era bom começar com um lugar onde as indicações eram positivas, mas existem várias outras opções, como STB, World Study e a ExperimentoDepois de escolher uma agência, você precisa decidir entre um ano ou seis meses.  Eu estou no último ano do ensino médio no Brasil, mas como nos Estados Unidos é diferente, eu tive de começar a escola em janeiro, como toda pessoa normal, e trancar a escola em julho, porque aqui começa em agosto. Começou, no caso. Existe uma outra opção, que seria terminar o colégio no Brasil, e vir para cá em janeiro de 2015, sendo então um curso só de seis meses, mas como eu queria a experiência "completa", meu programa será de agosto até maio. 

   Certo, então você já tem agência e sabe a quanto tempo quer ficar no exterior, o que falta de essencial? Slep Test. Esse Slep Test não passa de uma prova de inglês para saber em qual nível você está e se poderá ir para o país que deseja. Esse teste é muito simples, mas é muito demorado, tendo umas duzentas perguntas. Quando o resultado chegar, você poderá saber se está tudo ok para ir para a próxima fase: a escolha do programa. Existem duas opções, na qual uma é mais cara do que a outra. A primeira você não escolher para onde vai, sendo que só sabe mesmo o país (EUA) e na segunda você pode garantir que não vai cair em Utah. Por mais que você pague cinquenta mil reais, não existe a opção de ficar em NYC, por exemplo; são sempre cidades menores, perto de grandes centros. 

   Quando tudo isso estiver pronto, é a parte chata do programa: Application. Mas isso fica pra um próximo post.
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EUA

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   Não sei quantos sabiam da minha viagem de dez meses para os Estados Unidos, mas o ponto é que aqui estou, uns dias de começar as aulas (outra vez) para terminar o Ensino Médio. E acho que só estaria mais feliz se soubesse que as pessoas que eu amo não estão uns mil quilômetros de mim.
   Eu decidi fazer isso porque A) é uma experiência incrível, que você aprende a ser independente, a lidar com a saudade e como ser madura, sem contar tanto com a ajuda dos pais B) ajuda muito no inglês, que é uma língua importante de se ter fluência e C) é bom sair da rotina e fazer novos amigos. Sei que não são muitas pessoas que têm essa oportunidade de fazer um intercâmbio de quase um ano, então meus patrocinadores merecem propaganda: meus pais - obrigada por serem pessoas incríveis, que não se importaram em deixar a filha única ficar longe por uma boa causa. 
   Sexta-feira terá o primeiro video explicativo sobre o intercâmbio no canal do blog no Youtube, sendo que a preparação para essa viagem está sendo feita desde setembro do ano passado. É muita papelada, muita espera, e muito nervosismo e ansiedade.
    
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Ready? Go. Read: Do seu lado

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Ano: 2012
317 páginas
Editora Novo Conceito
                      
   Eu tenho um bocado de "problemas" com patriotismo exacerbado, na verdade, qualquer tipo já me deixa meio enjoada. Da última vez que eu indiquei um livro de uma autora brasileira, tive retornos bem felizes, comentando que haviam gostado da dica, e que o livro era realmente bom, então vou deixar as MINHAS dificuldades com o Brasil de lado, e indicar o livro "Do Seu Lado", da Fernanda Saads.

— Você acha que foi fácil para mim ouvir você chorar por um cara que nem a merecia? E ficar do seu lado, te dizendo que tudo ia ficar bem, quando, na verdade, queria que vocês dois nunca mais fizessem as pazes — ele explode. — E agora... Agora que eu já coloquei as coisas em ordem de novo, você chega do nada e diz isso tudo... O que você espera? Que eu simplesmente olhe para você e diga "meu amor, vamos casar?" — sua voz está cheia de ironia.

   A história se baseia em Sarah, que fica devastada com o fim do relacionamento com Bruno, e recorre a sessões de terapia. Depois de um tempo, acreditando ter esquecido do ex, ela acaba o reencontrando e é obrigada a passar um certo tempo com ele. Enquanto isso, Igor, seu melhor amigo, está ao seu lado, alertando-a de todo o mal que pode ocorrer, caso ela venha a se envolver com ele outra vez. 
   Clássico.

— Vó… — eu sento ao seu lado.
— Diga, querida.
— Como é amar alguém pela vida toda? — pergunto, baixinho.
Ela olha para cima como se estivesse rememorando. Depois dá um longo suspiro.
— É a melhor sensação que alguém pode ter na vida — ela responde. — É como gostar de comer o pão daquela padaria da esquina e saber que eles nunca vão trocar de padeiro.

   O livro em si, é bom, o problema é que não é nenhuma novidade. Tem partes boas, bem escritas, assim como tem momentos em que você simplesmente quer parar de ler porque sabe sobre o final. Ou acha que sabe. De qualquer forma, cada pessoa que ler tirará suas conclusões, então não cabe a uma mera mortal como eu dizer se o livro é bom ou não. 

-Para com isso! – eu o afasto – Eu idealizei você! Criei uma imagem de um cara perfeito para mim, mas, na verdade, você nunca teve nada dele. Só isso.

   Ao meu ver, não foi tempo perdido, apesar de ser uma história fraca. É o típico livro despretensioso para um fim de tarde. 
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Sobre saudades e lágrimas

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   A única coisa que eu quero que morra, são as flores que recebi. Mas elas irão parar de viver porque é a ordem natural das coisas, e não porquê eu sou cruel ou algo do tipo. A única coisa que eu quero que chore são as nuvens, porque assim, as estações irão passando, e isso significa que vou estar mais perto de voltar. As única coisas que eu quero são as que não vão acontecer. Infelizmente cada coisa dessas faz parte de entender algo sobre a vida: saudade.
   A saudade é um sentimento bem amargurado. Não contente em tirar o toque, a visão, o olfato e a audição, ela faz com que você transforme boas lembranças em memórias torturantes; transforma a vontade de estar junto em medo de que tudo esteja tão diferente que, de uma forma estranha, você não irá mais se encaixar onde antes era tão bem quisto. A saudade que pode trazer velhos sentimentos à tona, é a mesma que não pode ser curada, que machuca, mas que, como toda boa dor, cicatriza com o tempo. Não existe cura, mas nenhuma dor dura por tempo o suficiente pra ser insuportável.
   Em minutos em que a vida parece incerta, que nada é tão real, a saudade mostra o amor que existia, e que pode existir. Em horas que a rotina parecia ter roubado toda a animação, a saudade mostra que ainda há carinho, ainda há sentimento que salve o que já não parecia bom. Em semanas que algumas coisas pareciam certas, a saudade mostra que, de certo, só existe o amor. Em meses de bipolaridade, sem saber de muita coisa, a saudade mostra que tudo bem não saber de muita coisa, tudo bem estar desanimado, tudo bem estar errado. Em anos de "tudo bem", a saudade mostra que devemos demonstrar todo o sentimento possível na menor quantidade de tempo que conseguimos, porque a vida é como uma competição, na qual você não pode saber o tempo que tem para completar cada mínima prova.
   Minha saudade é expressa com lágrimas e a falta de palavras. Minha saudade machuca ao passo que me constrói, que me faz lembrar que sou amada. Minha saudade não é diferente da de ninguém; ela arde igual, é salgada igual. Minha saudade faz parte de mim, no entanto, nesse momento, enquanto meu relógio está sendo zerado, eu noto que fiz tudo que podia fazer nas provas mínimas do dia-a-dia, então não me arrependo de nada. Você também poderia dizer isso?
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Não vou abaixar o som, mãe: Capital Cities

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   Capital Cities segue a mesma regra daquele início de post, onde eu falei sobre Bastille, Imagine Dragons e OneRepublic. Uma música conhecida e só aquela. Nessa caso, é Safe And Sound. Eles me lembram muito da dupla A Great Big World; por mais que os dois casos seja indie pop, eles tem estilos diferentes, assuntos diferentes nas músicas, mas são talentosos igual e merecem mais atenção.
   O primeiro álbum dos caras foi lançado ano passado pela Capitol Records, que se chama In A Tidal Wave Of Mistery, e possui doze faixas, uma delas sendo Kangaroo Court, que é uma das indicações. A outra, One Minute More, que é bem recente, faz parte da edição deluxe do álbum, lançado em maio desse ano. 
   Ryan Merchan e Sebu Simonian são de Los Angeles, Califórnia, e são muito conhecidos pelos efeitos especiais dos seus clipes.



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Porcaria, a pipoca queimou: Uma Longa Queda

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Pra quem gostou de: filmes sobre amizade.
Status: estreiou. 
Indicaria: Com certeza!

   Nick Hornby é um escritor inglês maravilhoso, mas, para quem não vê os livros dele por aí (porque é realmente mais difícil de encontrar), uma saída é assistir o filme e ter uma ideia de como a sua criatividade o torna especial. O filme "Uma Longa Queda" é uma adaptação do livro de mesmo nome, e teve sua estréia este ano. A história fala sobre quatro pessoas que se encontram no topo de um prédio, em Londres. O motivo? Suicídio. 
   Cada personagem tem uma história tão particular que torna o filme envolvente; te faz temer o que acontece em seguida e torcer para que tudo dê certo. Martin é um apresentador famoso que foi preso por se envolver com uma menor. Maureen é uma mulher que aparentemente vive com vinte gatos e não tem mais ninguém na vida, enquanto Jess (que é vivida por Imogen Poots, a loirinha que dá a real graça do filme) é a filha de um político e vive se metendo em confusões. J.J é um americano que trabalha entregando pizzas, uma vez que desistiu de sua banda. O que exatamente eles tem em comum? 
   Na primeira vista, parece meio macabro. Quatro pessoas preparadas para se suicidar em pleno ano novo. Bom, eles pensavam que fariam isso, mas a vida tinha reservado coisas melhores para eles, o que faz com que eles façam um pacto: nada de suicídio até o dia dos namorados, comemorado lá em fevereiro, o que os dava seis semanas para amar a vida outra vez.
   Em minha opinião, Pascal Chaumeli soube sim como adaptar o livro, no entanto, aquela magia das palavras, de cada sensação e sentimento sendo descrita faz com que ler e imaginar a situação torne o exemplar, que é vendido no site da Saraiva por trinta reais, muito melhor.

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Não vou abaixar o som, mãe!: Amber Run

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   Eu juro, por tudo que é mais sagrado, que eu não faço uma busca no google tipo "bandas britânicas". Eu simplesmente procuro um artista que eu gosto bastante no youtube, e espero pelas indicações do próprio site, que acabam aparecendo do lado. E foi assim que eu conheci Amber Run, uma banda de Nottingham.
   Os cinco se conheceram na universidade de Nottingham, e no início eram conhecidos só por Amber. Joe, Will, Henry, Felix e Tom se apresentaram em 2013 no Reading Festival no palco BBC Introducing Stage, que, como o nome já diz, queria introduzi-los. Eles não são conhecidos, sendo que possuem onze mil curtidas no Facebook e menos de quatro mil inscritos no youtube, mas eu realmente acho que eles têm talento pra ficarem famosos.







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Sobre palavras e dinheiro

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   O mundo é superlotado de pessoas que, basicamente, sabem muito sobre duas coisas: palavras e dinheiro. No entanto, tudo que sabemos sobre esses assuntos é o que ouvimos, enxergamos, sentimos ou tocamos, e isso pode ser perigoso, afinal, os sentidos podem enganar veemente até o mais cuidadoso e meticuloso ser. 
   Dinheiro é um papel que acabou controlando países, que faz com que acordemos cedo, trabalhemos em um lugar que não gostamos e até diminui nosso tempo com as pessoas que amamos. O capitalismo fez filhos rebeldes, que reclamam tanto sobre política, impostos, injustiça, mas que não sabem como mudar sua própria rotina. O dinheiro fez com que as pessoas se focassem tanto no problema, que se esqueçam de buscar possíveis soluções. Ainda sim, o tal papel valioso traz responsabilidades para alguém cuja natureza é fugir delas.
   Palavras funcionam como plásticas. Alguém que já mudou muito seu corpo com a ajuda médica mas mantém uma alma vazia, feia, é como alguém que usa palavras rebuscadas demais. Por mais que se saiba o valor da plástica, e a mudança na maneira como as pessoas podem tratar você, por dentro tudo continua igual. Quem sabe palavras diversificadas e faz questão de usá-las na intenção de parecer superior, esconde sentimentos vazios.
   Dinheiro e palavras combinam e constroem diversos prédios altos, espelhados, sendo suportados por vigas de racionalidade, totalmente diferente de algo emocional. Cidades são construídas assim também, e são sustentadas por pessoas que acreditam mais em dinheiro do que em boas ações; mais em palavras do que em fé. Palavras e dinheiro combinam, infelizmente. Palavras e dinheiro destroem e constroem, depende do ponto de vista.
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Ready? Go. Read: Vaclav & Lena

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Ano: 2012
272 páginas
Editora Intrínseca

   Se  você achou a capa desse livro bonita, devia ver o original. Além dessa arte incrível que proporciona uma ótima primeira impressão, a história é muito boa também. A primeira coisa que chama atenção é a dedicatória. Particularmente, não as leio, mas decidi que iria ler esse. O que eu não esperava eram palavras tão simples, ocupando menos de dez linhas, sobre o falecido marido da autora, Haley Tanner, fossem quase me fazer chorar.

"Vaclav decide dar uma resposta mentirosa à pergunta, porque falar a verdade seria constrangedor. A verdadeira coisa que ele salvaria num incêndio seria Lena."

   A história é dividida entre quatro partes: Vaclav e Lena pequenos, Vaclav separado, Lena separada, e então o reencontro dos dois. A narrativa se passa no Brooklyn, mas na percepção de imigrantes russos. Vaclav e Lena são crianças que adoram mágica acima de tudo, e, então, Lena é obrigada a sair daquela vida de escola, ir para a casa de Vaclav, ficar até a janta para comer alguma comida não tão boa e não tão saudável, ser levada para o apartamento de sua tia nada convencional, dormir em seu quarto de um único colchão e nada mais e repetir esse processo no dia seguinte. No aniversário de dezesseis anos da garota, algo muda na vida dos dois, que estavam separados desde seus dez anos de idade. Ela tem uma vida, ele tem outra, que ainda possui mágica e agora tem Ryan, sua namorada. O que esperar de uma situação assim? 


"Contudo, é claro que o tempo passa; é uma das verdades do universo: por maior que seja a dor, a alegria, o nervosismo, a ansiedade, o amor, o medo, a coceira, a febre, a queda, o tempo passa."

   Os primeiros capítulos são cansativos; fiquei enrolando até a página cem. Mas depois que a "vida é separada", na parte dois, sendo dirigida exclusivamente por Vaclav, tudo melhora e você lê sem parar até descobrir todos os detalhes importantes. É uma história inocente, com uma boa dose de filosofia, e até pensei que John Green tirou a ideia do cigarro como metáfora de uma cena do livro, onde Lena está no banheiro, divagando sua existência a partir de uma mancha no azulejo, e uma colega a oferece um cigarro.


Todo mundo está preocupado, e todo mundo está usando alguma coisa intencionalmente, mas ninguém quer que os outros percebam, e ninguém quer que os outros comentem. Todo mundo quer sair por aí como se fosse um super-heroi, que veio ao mundo já pronto; ninguém quer reconhecer que está constrangidamente criando a si mesmo, mas todo mundo está.

   "Vaclav & Lena" merece um nove. Só não fica com nota dez porque a autora não terminou a história de ninar que a mãe do garoto contava, onde uma princesa e um camponês se apaixonam. Ele lhe deu cem dias para ela pensar em fugir com ele, no entanto, na centésima noite, ele não apareceu, temendo que não fosse superar tamanha tristeza de não ter a amada, e então a Haley termina o conto com um "então a princesa..." e eu gostaria muito de saber o que aconteceu. 
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Top 5

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   Propaganda é realmente a alma do negócio, afinal, ela introduz uma perspectiva para as pessoas, seja um produto, uma campanha, ou qualquer outra coisa assim. Eu não gosto de Coca Cola, por exemplo, mas não tem como não admitir que os comerciais deles sãos os melhores. 
   Considerando que existem ótimas propagandas, hoje terá um top 5 com as minhas favoritas. Prometo que não será nenhuma de margarina, com uma família mega feliz, um cachorro enorme e uma mesa farta, então assistam aí, e me digam se vocês conhecem algum comercial nesse estilo também.
















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