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Without a Word

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   A janela é a minha pequena porta da esperança. Honestamente, dentre todas as fases sem sentido que eu já ousei falar, essa foi a que mais verdadeira, pelo simples fato de que é só um vidro que me separa de tudo que é real, de tudo que me prende ao que é concreto. Se não fosse essa janela, eu não poderia olhar para fora de meu mundo particular e notar as diferenças, as quebras de contrato sobre a imaginação. Fora dos limites da minha janela, as pessoas são pretas e brancas. 
   As borboletas entram pela janela, essa mesma que me permite olhar as luzes, ao longe. Elas não entram pela porta, não se sujeitam a um humano devastador, que pode matá-la por medo. Quem mata uma borboleta colorida, que o único erro fora confiar em uma janela aberta? Eu digo, então, que a borboleta não entrou pela porta porque ela está sempre fechada. Fechada para que um estranho não adentre seu mundo, invada-o de tal maneira, que o que vai sobrar são só cinzas, ou móveis virados e quebrados. Quem poderia ter entrado era uma adorável velinha, carregando a poção do amor, ou, quem sabe, da felicidade, porém a porta está fechada, e a luz só entra pela janela.
   Considerando minha filosofia sem nexo, da regra fixa de que a porta tem de estar fechada, o que resta é a janela. O que tem sobre essa única peça, que permite que a luz entre, que o vento contribua para que todos presentes consigam respirar melhor? A janela é a minha pequena porta para a esperança por uma razão, e por ela que estou escrevendo isso. Só por ela.
   Da minha janela, sete andares acima do chão, eu enxergo um grande shopping. Acho que o maior da região. O que tem de especial sobre ele? Nada. O que tem de especial sobre ele, em mim? Suas luzes de Natal. Eu consigo ver as luzes de Natal, piscando em sincronia, e elas me fazem companhia até a meia-noite. E então elas se vão. As luzes se apagam, assim como ele morreu, naquele Natal, quatro anos atrás. Eu queria poder dizer que eu não choro. Queria poder afirmar que, toda vez, ao sentar na cama, olhar para fora de casa, e ver toda aquela magia exposta, eu não penso nele, aquele que foi embora. Mas eu choro. E eu penso nele. 
   Ele, hoje, é como aquela borboleta que entra pela janela, sabe? A janela, que eu passo horas olhando, talvez na esperança de ver algo que chame a minha atenção, e preencha meu coração. A borboleta é o que prende minha atenção, que me faz sorrir, que me deixa admirada, só que, depois de um tempo, ela descobre como sair e vai embora. 
   Assim como ele foi. 
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2 comentários:

  1. Eu amoo os seus textos, eles de alguma forma me inspiram. O jeito como você consegue falar da sua vida sem se expôr (pelo menos é isso que eu acho rs) me encantam, enfim você realmente escreve muito bem. ;)

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    1. Nossa, você não sabe como eu fico feliz de ler esse comentário, adorável anônimo. Espero que eu continue superando suas expectativas para escrita, então :)

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