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Pecados

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   Todos nós machucamos uns aos outros. Estamos cansados, e não pensamos no que sairá pela boca, ou alguma fala saí ambígua e, sem comunicação adequada, os erros acabam afogando o que poderia ser uma boa relação. Em outras vezes, ignoramos a vontade de apagar o orgulho, como quem apaga um cigarro, e ir atrás do que parece valer a pena. Seja com palavras, ou com atitudes, machucamos outras pessoas, diariamente, e isso nos deixa sem opção de ser melhor ou pior que alguém.
   O problema não é o tamanho do pecado. Não é importante a dor que ele causou, nem as lágrimas que escorreram dos olhos, acompanhando toda a decepção, passaram pela bochecha e aproveitaram alguns segundos do maxilar, antes de abandonar a face por completo. Ou o choro que ficou preso na garganta, fazendo os olhos arderem de tanto autocontrole. O problema não é a imensidade das consequências de tal erro, nem se existe um conserto. O significado do pecado vai depender, exclusivamente, das atitudes tomadas após a culpa.
   Não existem infrações grandes, ou infrações pequenas. Erros grosseiros e erros perdoáveis. Existem, basicamente, dois tipos de pecado, e eles não se baseiam em consequências ou permanência. O delito vai depender do quão profundo é o arrependimento, e de como você se sente, ao acreditar que não obterá perdão. Existe o pecado verdadeiro, em que você machuca, decepciona, magoa, porém sente como se um pedaço do seu caráter tivesse sido abandonado. Tudo bem se arrepender, e esmagar o orgulho. Tudo bem ser o primeiro a chamar e a se desculpar. Por outro lado, existe também o pecado que consome, em que você abandona, destrói, entretanto não sente seu coração doer, nem mesmo quando sabe que desistiram de você. 
   Eu não sei qual será o tipo de pecado que eu vou cometer amanhã, e acho até melhor que não saiba, afinal, é esse bônus da dúvida que torna a vida interessante, porém, eu só espero que quem receba a má notícia de sofrer por minha transgressão, que for o afetado direto, lembre-se de quem eu não sou a única a errar. 
   Os pecados são todos iguais, só dependem de um perdão, ou de um veredito negativo para que se possa seguir em frente, e errar novamente no próximo dia. Estaremos nesse ciclo vicioso de decepcionar, ser decepcionado, receber uma consequência e aprender com isso. E eu até acho que está tudo bem, contanto que exista a noção de que todos tem pecados à se arrepender, sejam eles visíveis a olho nú ou não. 
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2 comentários:

  1. "Até é melhor que não saiba, afinal, é esse bônus da dúvida que torna a vida interessante" fato! Seria bem mais bonito o mundo se as pessoas compreendessem que todos erram consciente ou inconscientemente e que pudessem perdoar!

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    1. não é fácil, porém, aos poucos, acho que vamos aprendendo detalhes assim.

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