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Paixão de cinco segundos

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   Eu gosto daquelas paixões de cinco segundos, onde você vê um completo estranho na rua, seja no metrô, atravessando a rua caótica, pausada pelo semáforo vermelho, ou só cruzado com ele em um mercado, no momento mais banal do dia, e começa a imaginar como seria se ele se tornasse mais que só um rosto na multidão. Não sei se faz parte só da minha rotina boba, porém são situações assim que me lembram que é bom acreditar no amor, porém, principalmente, que é bom acreditar na imaginação. 
   É tão óbvio, quanto dois mais dois é igual a quatro, que você jamais verá aquele homem novamente, afinal, ele descerá na próxima parada, e você voltará para sua fantasia, entretanto aquela esperança, que consome um coração, que transborda ilusão e expectativa, é o que torna toda essa paixão-relâmpago especial e divertida.
   Compromisso é transposto pelo adeus precoce. Sofrimento não existe, devido ao sentimento falso criado, para satisfazer uma mente romântica. E aquela sensação de felicidade, ainda sim, existe. Talvez não genuinamente, como um amor de verdade faria, porém esse amor momentâneo não deixa marcas. E para quem ama sua zona de conforto mais do que se arriscar, eu recomendo um bom passeio de ônibus, uma ida ao shopping ou qualquer outro lugar onde se possa encontrar um menino gentil a espera de uma oportunidade de fazer parte de um sonho irreal.  
   O estranho que você vê na rua tem um bônus que o moço pelo qual você nutre um amor não possui: ele não possui pontos negativos com você. Ele não existe, afinal. Você o vê, porém ele não é o que você consegue enxergar, e muito menos o que sua mente criou. Ele é um estranho que não merece crédito por parecer perfeito, entretanto, lá está ele, com seu sorriso bonito, mão depositada no colo, despreocupada, e olhos cativantes, rondando sua mente por cinco segundos e te deixando brevemente feliz.
   Acho que isso é o suficiente para um dia preto e branco, por fim. 
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