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Minha kritonita: Amor Platônico

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   Havia algumas coisas na vida que ela sabia que deveria ficar afastada. Drogas, animais venenosos, políticos corruptos, pessoas estranhas oferecendo doces na rua, e o amor. O amor platônico, pelo menos. Não era como se ela quisesse quebrar um desses mandamentos, porém ela se apaixonou. E ele não sabia nem sequer da existência dela.
   Era bonito de se ver como os olhos da menina brilhavam ao ouvir o nome dele, ou ao imaginar ele fazendo planos para ficar ao seu lado. Foi triste ao notar que seus olhos estavam embaçados, porque ela havia notado que era tudo uma ilusão, e que essa paixão nunca iria mudar. O sentimento manteria aquela definição para sempre, e isso sim era triste. Ele permaneceria no coração dela, gritando para que algo acontecesse e o "idealista" se tornasse realista. Eu não disse nada, entretanto era óbvio que aquilo só a levaria a decepção.
   Pela definição do dicionário, amor platônico é um sentimento puramente ideal. Pela descrição dela, amor platônico é um sentimento que, no momento, não se faz possível, mas que pode acontecer. Ela estava se apegando a menos de um por cento, em que pacientes saem do coma, em que drogas não causam consequências na vida dos usuários, em que casais que se casam com menos de vinte anos, se mantem juntos até o fim da vida. Ela estava se apegando a uma farsa, e não havia nada que alguém pudesse fazer, afinal, ele parecia perfeito aos seus olhos.
   Ele era incrível, de fato, e talvez esse fosse o principal problema. Ele não era real. 
   Com seus problemas, e seu humor bipolar, ele andava por aí, arrecadando corações bobos, que se derretiam só por um olhar. E eu ainda não poderia culpar ninguém, porque ele tinha olhos especiais. Especiais a ponto de meter qualquer uma nesse amor platônico também. 
  Ela estava lá, sofrendo pelos cantos, com a imaginação gritante e colorida percorrendo oceanos, e, antes de dormir, fazia cenas e mais cenas, como se a realidade de sua vida fosse ele. Ela vendeu sua alma para um garoto que não existia e esqueceu de ver o que estava por perto, para viver uma aventura ilusória. Mas quem nunca teve devaneios, pensando em como a vida poderia ser melhor? Porque paixão platônica é isso; é a ideia de que a vida vai ser melhor se aquela pessoa estiver por perto, sendo que ela não está. Talvez nunca esteja. 
   Ela não mudou em nada, continuou pensando nele. Amor, seja na forma que seja, quando vem associado de sofrimento, só vai gerar três coisas: lágrimas, dinheiro para os espertos, e escritas sem sentido. Lágrimas para a iludida, dinheiro para os fabricantes de lencinhos, sorvete e filmes que só te colocam mais fundo, na fossa, e escritas aleatórias sobre como o sorriso dele te fazia sorrir. 
   Isso não vale a pena, nunca vai valer, mas quem se importa? Eu, pelo menos, estarei feliz, lendo as frases sem sentido e rindo sobre como ela se encaixam e fazem sentido pra mim. Mas boa sorte para você, senhorita enganada. 
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