Image Map

Press

Texto de mesa

`
   Existe uma coisa chamada regra silenciosa. Isso acontece para momentos em que as coisas simplesmente tomam um rumo do qual você não espera; ou pra momentos em que você se vê dizendo "eu não consigo fazer mais isso".
   Há dias em que eu simplesmente sou a dramática de sempre, com meus pensamentos voando longe, por uns nove mil quilômetros dali, e com as músicas corriqueiras tocando na cabeça, como em um elevador, que sobe e desce, sem compromisso algum, só fazendo o trabalho comum de transportar pessoas de um andar ao outro. Mas há dias em que as coisas são diferentes e as músicas deixam de fazer sentido pra mim; são nesses dias que eu olho para as coisas que se foram, simplesmente, em uma regra silenciosa de chegar, fazer você se apegar, e ir embora, sem maiores explicações.
   Acho que é isso que as pessoas fazem, no final do dia. Elas chegam, marcam quem podem marcar e depois vão embora por estarem cansadas do que é rotina. Amizade é rotina, amor é rotina, casamento é rotina, vida é rotina. Tudo acaba porque está correndo na ordem natural; você nunca pode ser feliz o suficiente que a realidade não possa te trazer de volta pra terra.
   Foi aquela amizade infantil que, de um verão para o outro, simplesmente não foi mais a mesma. Acho que ela foi viajar e, durante os três meses de calor, com cloro no cabelo e cheiro de protetor solar, tudo foi apagado. Talvez eu devesse ter ligado para desejar um feliz Natal. Talvez eu devesse ter a convidado para sair. Entre os "talvez" que eu me apego, ela continua lá, para me lembrar que eu não fui capaz de manter um relacionamento. Foi a amizade de dez anos que pareceu uma eternidade; tudo foi embora porque eu deixei que escapasse de meus dedos como areia... Nós nos olhamos e conversamos por horas ainda, mas ela me critica por eu não achar problema em adotar um filho, e eu a condeno com o olhar quando ela joga na minha cara que nada mais é igual. Foi a amizade recente que, depois de uns dias, me mostrou que eu mantenho velhos hábitos sobre meus defeitos. 
   A culpa pode ter sido minha. Eu nunca fui de me apegar a ninguém; eu acredito que tudo tem que ser intenso o quanto pode ser, só que os momentos passam e as memórias é que ficam para lembrar do que foi bom. Eu não gosto de fazer planos, nem de me comprometer; eu posso dizer que gosto de chuva, mas fecho a janela, e nem ouso ficar na rua quando as gotas caem na calçada, dando aquela sensação de melancolia. Eu tenho vários defeitos, mas não podem me considerar falsa, porque nesse exato momento, o que eu digo, é a minha verdade. Pode ser que cinco minutos depois não seja mais, mas agora, se eu digo que sinto sua falta, é porque isso ocorre, de fato.
   Amizade, definitivamente, não é sobre exclusividade, não é sobre o verão que eu deixei de ligar, não é sobre presentes, nem mesmo sobre manter contato ou não; amizade é sobre como você fez alguém sorrir pelo simples fato de estar lá. Amizade é sobre lembranças, e sobre o futuro planejado.
   Você acha que eu te fiz feliz? 
2

2 comentários:

  1. AMEI seus textos só deu pra mim ver dois mais amei

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. que bom que gostou, Yasmin! Espero que continue acompanhando o blog :)

      Excluir

Image Map