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Top 5: Intercâmbio

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   Faz um mês que eu voltei pra casa, e estou depressiva agora. Não sei se muitas sabem, mas eu fui pra Roma, Londres e Paris em agosto, e desde lá, não consigo parar de pensar sobre como eu vou fazer para voltar, afinal, é bem carinho. Eu fiz muitas compras, fiz amigos incríveis e até cantei em um show de talentos... mas não ganhei. Ainda sim tenho uma medalha de segundo lugar; mas a explicação dessa façanha fofa fica para um próximo post. 
   Assim como tudo na vida, sempre tem algo que marca mais, não é? Então aqui está o meu Top 5 sobre meu intercâmbio. 
5: Sorvete da Itália.
O sorvete de lá não tem a melhor casquinha do mundo, isso é verdade, mas em compensação, o sorvete em si é a melhor coisa do mundo! Quando eu estava na Fontana Di Trevi, passei na ruazinha com uns restaurantes muito bons e comprei um de morango. Eu tive de pedir em inglês, porque o meu italiano era melhor que o inglês da minha vó; ou seja, zero. 
4: Stanborough
Eu, por ter ido com a escola, fiquei em um internato adventista da Inglaterra. Eu dormi e estudei naquele colégio por duas semanas, e, intercalando um dia inteiro de aula com passeios pelas cidades ao redor de Watford (que era onde a escola estava), acabei me apaixonando ainda mais pela cultura inglesa. 
3: Asda
Esse era o nome do mercado que tinha perto do internato. Aquilo lá foi a salvação do meu estômago, porque assim, não é que eu seja fresca para comida, mas ficar sem carne por duas semanas (adventistas não comem carne) e com os temperos de lá, que eram horríveis, não era uma opção muito agradável. Eu paguei menos de cinquenta centavos de pound por um Kinder Ovo, e um CD do Ed Sheeran por quatro libras; dá pra imaginar?
2: Compras em Watford
No meu segundo dia na Inglaterra, eu fui para o centro de Watford, que é mega charmoso, e passei o dia inteiro no shopping, fazendo compras. Minha primeira loja foi a Primark, e lá eu gastei oitenta libras, em menos de uma hora. Eu acabei me perdendo das minhas amigas e fiz compras sozinhas, mas sério, foi incrível e acho que até hoje, a minha lembrança mais clara é a livraria WHSmith, que eu comprei alguns CD's e um livro com a bibliografia do McFLY. Eu até ganhei um cupom com desconto pro McDonald's e acabei pagando 2 libras pelo lanche completo.
1: London Eye e Big Ben
Eu estava respirando o ar de Londres! Só de pensar na felicidade daquilo eu já fiquei entusiasmada, só que daí, sentada no ônibus que estava nos levando para os lugares, olhando pela janela e vendo pessoas lindas e bem vestidas, o Big Ben aparece do nada na minha frente, depois de uma catedral legal. Eu comecei a hiperventilar e balançar as mãos no ar, como uma perfeita idiota. Para minha sorte, o meu amigo, que devia estar do meu lado, foi lá pra frente tirar foto e não viu o meu chilique. 

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365/268

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   Oficialmente, você tem noventa e cinco dias pela frente até poder brindar e se vestir de branco novamente. O pedido pra hoje é que você escreva. 
   Escreva uma nota de rodapé, um bilhete com, talvez, três palavras, em um post-it amarelo, uma carta ou um email. Eu quero que você escreva sobre qualquer besteira, ou algo com um significado imenso para você, tanto faz. As pessoas merecem saber o que você tem a dizer, afinal, qualquer coisa que venha do coração vale a pena ser mostrado. Ou, se não quiser, pode simplesmente queimar logo após colocar o ponto final.
   Você tem, basicamente, uma maneira direta e indireta de escrever; a sua escolha entre esses dois não me importa muito. O que eu quero mesmo, é saber que nada do que você queria dizer passou despercebido. Talvez as consequências de falar o que se pensa, em voz alta, podem ser grandes o suficiente para terem de ser ignoradas, porém esse é o bônus da escrita. Você é que escolhe o que os outros vão entender. 
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Angels

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   Houve uma vez, em que eu vi um anjo caído no chão. Suas vestes brancas estavam sujas e nada apresentáveis; seus cabelos estavam desgrenhados e até mesmo sua feição estava diferente do esperado. Todos ignoravam sua presença. Passavam por ele, alguns jogavam umas moedas, já outros nem mesmo dirigiam um olhar à ele. 
   - Você me vê, não é? - Ele perguntou, levantando seu rosto pela primeira vez. Eu estava ali, parada, atônica a situação completamente nova e estranha. Sua voz continha quase que um pouco de ironia, e sua expressão estava amena.
   - Eu não deveria? - Perguntei, notando que estava estorvando as milhares de pessoas que passavam pela avenida poluida sonoramente e visualmente. Cartazes colados nas paredes mal pintadas, folhetos ao chão e propagandas de diversos serviços faziam companhia, na calçada. 
   - Deveria sim. - Ele disse, se levantando. Eu podia jurar que ele possuia assas, mas meus olhos não conseguiam se fixar em outro lugar a não ser seus olhos. Era como se um imã me atraísse. Eu não conseguia me deter nos detalhes, fossem eles as condições das roupas do anjo ou seu corpo, em si. - Só que as pessoas, no geral, não dão. 
   - Por quê? - Eu dei um passo para o lado, saindo do fluxo caotico de pessoas indo ao trabalho, ao médico ou a qualquer outro lugar. 
   - Uma menina parou aqui hoje. - Ele disse, com meio sorriso. - Ela chorou do nada, e segurou a mão de sua mãe mais forte. Ela retirou um doce de sua bolsa e me entregou. Sua mãe a olhou confusa e perguntou porque ela havia colocado o doce no chão. 
   - No chão? - Perguntei, virando um pouco minha cabeça para o lado, para demonstrar que estava confusa.
   - A mãe não conseguia me ver. - As pessoas a minha volta começaram a me olhar estranho e fiquei ainda mais perdida. - Eles acham que você é louca. - Ele disse, baixinho. 
   Eu me virei para frente, onde o asfalto estava, e os carros passavam rapidamente. Ninguém prestava atenção no pequeno menino ao colo da mãe, sorrindo abertamente para um mendigo de rua. O mendigo sorriu de volta e começou a fazer caretas, fazendo o garotinho sorrir ainda mais. Ou talvez ao casal de idosos, atravessando a faixa de pedestres de mãos dadas. O amor entre eles parecia ser palpável. Nem ao adolescente, de uns quinze anos, de olhos claros e cabelos escuros, sentado em uma lata de tinta enferrujada, cantando que tudo o que precisávamos era amor. Amor era tudo que precisávamos.
   - Eu sou louca? Você não existe? - Ignorei a minha observação sobre os acontecimentos ao meu redor e franzi a testa ao encarar o anjo. Eu não tinha certeza do porquê eu tinha certeza que ele era assim especial, mas eu só... eu sentia a paz transmitida dos olhos dele. O rapaz não possuía asas. Ele não era um anjo.
   - Você consegue me ver, consegue me ouvir... você não é louca. - Ele disse, rindo. - E mesmo que eu não estivesse aqui, e fosse tudo algo da sua imaginação, para você, por um mero segundo, eu seria real. Ter alucinações não é algo louco, afinal, em sua cabeça, é real. O diferente não é maluco; o diferente é só diferente. - Ele deu de ombros e eu me perguntei quem era ele. Um mendigo comum, um empresário que perdeu tudo do dia pra noite, ou talvez só coisa da minha imaginação mesmo.
   - Você faz parte da minha imaginação?
   - Eu sou real porque você quer me enxergar. Eu estou aqui, nessa rua imunda, pra mostrar que só quem quer ver os detalhes, consegue enxergar de fato. Muitos desviam, muitos jogam moedas, muitos quase cospem em mim com o olhar de desgosto. Você parou aqui para me olhar porque é especial.
   - Especial? - Eu ri com escárnio. 
   - Só as pessoas especiais conseguem ver os milagres. - Ele disse, sorrindo fraco. - E eu acho que os anjos são um milagre. - Ele piscou e eu fiquei ainda mais confusa.
   "Talvez se você abrir os olhos, e olhar de verdade, irá enxergar os detalhes que fazem o mundo ser um milagre. Você não pode enxergar de perto, porque assim será facilmente enganado; mas olhe de longe, onde um ponto de vista inteiro poderá compreendido. Um anjo, uma forma de amor, uma forma de respeito... seja o que for, qualquer coisa que faça o dia ruim valer a pena pelo seu simples detalhe; olhe o mundo como uma coisa surpreendente, que pode te dar novas chances para errar ou acertar a cada dia".
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   Digamos que, depois da meia noite de hoje, você terá somente mais noventa e cinco dias pra cumprir com promessas, buscas realizações pessoais, que foram mencionadas duzenta e sessenta e nove dias atrás, no ano novo. Não estou pedindo pra viver loucamente e enfiar o pé na jaca; eu só quero que hoje, caro leitor que está sentando confortavelmente na frente do computador, ou lendo isso pelo celular, enquanto vai para a aula de natação,  você esqueça tudo de ruim que aconteceu pela manhã, ou até mesmo a poucos minutos atrás, e dê um abraço em quem você ama. Sério mesmo, faça isso. Talvez as coisas possam melhorar, mas se elas não ficarem um pouquinho mais "aturáveis" com isso, vá tentando até assim o fazer. 
   Esse é o meu pedido de número 269, que você demostre seus sentimentos com atitudes, e você, qual o seu pedido? 
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You won't marry me

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   Eu acreditei, fielmente, que tudo não passava de uma enganação. Mas acabou que eu era a única enganada da situação, e não pelo seu relacionamento, e, sim, por mim mesma. Eu via a falta do seu sorriso ao lado dela, estampado em cada revista, e um lampejo de esperança me preenchia. Era errado, e eu sabia, porém era a minha maneira de acreditar que, talvez, um dia, eu pudesse ser o motivo de seu sorriso. 
   Eu nunca vou ser. Não serei a que vai acordar ao seu lado, todos os dias de sua vida. Não estarei lá para fazer tentativas frustradas de comidas exóticas, nem para cantar à noite, mexendo em seus cabelos. Também não vou ser a que vai brigar com você, na madrugada, porque quer que você esteja mais tempo em casa. Eu posso jurar, meu amor, que você é do tipo que chega a morder os lábios para não gritar, porque, simplesmente, odeia brigas desnecessárias. Em contrapartida, eu creio que jamais teria a capacidade de ficar realmente chateada com você; talvez eu fosse fraca demais para xingá-lo. Só de olhar em seus olhos, esses castanhos especiais, e sentir seus lábios sob os meus, eu já diria que não valia a pena. Entretanto, com as minhas palavras, tudo parece palpavelmente ilusório. 
   Foi ilusão, eu acreditei que você iria se separar dela um dia, porque queria algo real, para variar. Sabe, qual é o problema, querido? Eu, de uma maneira extremamente idiota e infantil, me apaixonei pelos defeitos seus que eu sequer conheço. Eu me apaixonei por seu sorriso, por ser misterioso e mais reservado. Apaixonei-me por seu talento e capacidade de me arrepiar só com uma nota alcançada. Vou confessar que pagaria o preço que fosse para entender o que se passa em sua mente quando seus lábios se fecham e assim se mantem até que uma resposta seja requisitada a você. Eu não vou entender nada disso, porque, a alguns dias atrás, eu soube que você vai se casar.
   Você vai se casar! 
   Eu poderia até mentir, dizer que a minha garganta não fechou, que as minhas narinas não arderam indicando minha vontade de chorar, que as minhas mãos não começaram a tremer, e também que a minha boca não se abriu em um perfeito "o", mostrando o quão espantada eu estava. Aconteceu tudo isso, e, de bônus, meus joelhos fraquejaram. Eu fingi que você era só mais um coisa que passaria e disse que estava tudo bem, que aquele pedaço de metal com brilhantes no dedo dela não significava nada pra mim, mas quer saber? Significa o mundo pra mim. O mundo que eu jamais terei.
   Eu posso dizer que te desejo o melhor, e que se você decidiu que seria ela quem poderia brigar com você na madrugada, que cozinharia pra você, que riria e compartilharia os melhores momentos é porque ela é a certa... bom, eu posso olhar pra cima, tentando fazer com que as lágrimas, magicamente, voltem de onde vieram e escrever sobre o quão feliz eu estou por você ter encontrado o amor da sua vida. Eu não estarei feliz, mas você não vai saber. Mesmo se soubesse, não iria se importar. Eu sinto muito que seja assim, e que, no final do dia, a iludida solitária seja eu, mas se era assim que tinha que ser, pelo menos eu tive a oportunidade de me apaixonar por você e conseguir contar como feliz eu fico só por saber que você está feliz. 
   E ela, sente isso por você?
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Boa sorte.

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    Sabe qual é o problema dos contos de fadas? Não é o príncipe, que muitas alegam que não virá; não é a bruxa malvada, que dá uma maça envenenada ou lança um feitiço sobre a bela e delicada princesa; e também não são os animais que cantam e fazem os serviços de casa. O problema é justamente a princesa. 
   A princesa é linda, dentro dos padrões da sociedade... loira, olhos claros, alta e magra. Basicamente assim. Ela pode ter sofrido diversas coisas, como trabalhar feito uma condenada, ter que fugir de um caçador, que quer roubar o coração dela; ou se tornar prisioneira de um monstro, mas sempre vai ter um "felizes para sempre" estampado na última folha do livro ou na tela da televisão. Todos são ensinados que tudo vai ficar bem no final, e que as coisas vão girar em torno de um romance, porque sem ele, a vida não é nada. 
   E então os pais se separam, você escuta um "você não é bonita o suficiente", e o cavalheiro bonitão não te nota, afinal está muito ocupado com o decote alheio. O amor passa e você não vê; ou seria ele que não vê você? A moral é que não é necessário um cara com farda e um castelo, é necessário música que te toque na alma, porque seus ouvidos são a porta para as palavras e uma doce melodia. É necessário saber amar, não só querer que os outros te façam feliz. É necessário pegar o telefone ou o avião e mudar o que tiver que ser mudado, antes que bata para meia noite. É necessário um sorriso, um verdadeiro que não esteja lá para esconder ou para mascarar algo pra alguém não perguntar o que há de errado. É necessário saber que se ele não vier, ou se atrasar, é porque assim mesmo que era pra ser, e não porque havia algo de errado com você.
   O problema é que a princesa pode ser baixa demais, ter tatuagens ou cortes nos pulsos, pode odiar seu corpo, e pode entender mais de tristeza do que de como conquistar um homem. A princesa pode não gostar de maquiagem, e pode perder compromissos, e não o sapato de cristal. Eu quero que as pessoas entendam isso e respeitem isso; quero que princesa seja toda a menina que é filha de um rei. Ou seja, toda menina é uma princesa! 
   E o amor? Vamos ensinar a amar, e não à como fazer as unhas. Vamos ligar só pra dizer boa noite, e não para xingar. Ou segurar a mão pra mostrar que se importa, e não pra atravessar a rua ou apartar uma briga. Eu só desejo que as pessoas aprendam que é necessário várias coisas antes da aparência e de julgamentos. E eu também desejo sorte pra quem acredita que há um estereotipo de beleza, e que felicidade só vem com um homem rico e um pedido de casamento com compartilhamento de bens. Boa sorte mesmo.
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