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Recaída.

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   Eu poderia dizer que tento, ao máximo, ficar longe da bipolaridade; e é por isso que me mantenho mais calada que expondo o que penso. Quando as pessoas falam, a raiva, a irritação e a inquietude preenchem um espaço que poderiam ser usado pelo silêncio; silêncio esse que abrange todos os sentimentos e todas as suas possibilidades. E é por isso que eu gosto do silêncio. 
   Em oposto a isso, meus momentos favoritos são associados a um simples passeio de carro, no banco do carona, onde eu posso ver pessoas estressadas, com vontade de voltar pra casa, ou crianças pulando, animadas, nos bancos de trás, visando o destino final, que possivelmente seria um shopping ou a casa da avó. Eu gosto do som de várias coisas juntas, mas que não tem associação a nada. Elas são só barulhos de uma cidade caótica, repletas de suas desilusões e realidades que gritam pra que você não acredite no impossível. Ou nos contos de fadas. Ou no amor, talvez. E isso que eu gosto. 
   Eu gosto de não precisar me apegar a um carro que está estragado no meio da estrada, nem sobre uma sinaleira com defeito. Eu prefiro ver as coisas da minha isolada janela, e analisar como se os outros não pudessem me julgar. E na verdade, eles até podem, porém não o fazem. Quem teria prazer em analisar estranhos? A mesma pessoa que, provavelmente, escreve tanto sobre tantas coisas, que acabou se iludindo na crença de mudar um mundo com palavras. Quanta idiotice!
    Muitos dizem que se deve aproveitar a vida, e eu pergunto agora porque eu não poderia aproveitar tudo com meu silêncio confortador. Dos meus lábios não saem som, mas eu me arriscaria dizer que são pessoas com os lábios como os meus, quietos e imóveis, que possuem as mentes mais enroladas, imaginativas e felizes. Bom, talvez não felizes, mas essas mentes são levadas a um mundo bom, onde as coisas parecem ser como sempre quisemos. É como se fosse um efeito alucinógeno, e isso só é experimentado por pessoas que são julgadas de retraídas e anti-sociais.
   E há também os que dizem que eu deveria ser escritora. Eu seria escritora se a cidade não fosse repleta de desilusões, porque, convenhamos, todos sabemos que nossos problemas não são mais ou menos especiais; são só problemas, que se tornaram desilusões e que estarão fazendo jus a um mundo sem super-heróis. 
   Perdoe a minha indelicadeza de expor a dura realidade; eu prometo fazer um texto mais agradável no Natal. Ou talvez antes, caso eu aprenda como sair do carro em um dia de tempestade, sem ser atropelada, e descobrir a razão do porquê eu sempre sorrio quando estou na chuva. Caso isso acontecer, eu ainda estarei em silêncio e ainda saberei que estou rodeada de ruídos e decepções, entretanto minhas recaídas de felicidade estarão mais corriqueiras e isso é suficiente pra mim. 
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1 comentários:

  1. :n Bi tu é a melhor das melhores, me ensina qualquer dia a colocar em um papel tudo que passa em minha mente alucinógena. Te amo amiga.

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