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O que eu vou esperar de verdade.

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   Eu esperei que a fé viesse até mim, mas eu fiquei parada, esperando o momento ruim me abater pra que eu pudesse procurar algo para me apegar; eu esperei como um passageiro do último trem da noite, que só quer voltar para casa, então por mais sujo e sem significado ele fosse, ele seria pego do mesmo jeito. Eu esperei construir uma parede por onde ninguém veria a minha fraqueza refletida no espelho, e é por isso que eu só olho nos olhos de quem eu confio. Eu consegui construir a parede, mas no final do dia, ela estava lá como um muro, que não só escondia, mas sim me afastava de tudo e todos. Eu conclui que deveria esperar até que ninguém mais quisesse uma polaroide para poder comprar a minha; ela ficaria mais barata e eu, com sorte, encontraria uma pequenina câmera azul, com fotos que saiam na hora, em uma prateleira qualquer, em uma loja qualquer. E então eu esperei ser amada.
   A fé não veio até mim, porque eu não senti de verdade; por mais que eu quisesse sentir, eu colocava empecilhos e nunca me dedicava à isso. O passageiro do último trem podia até não se importar o quão sujo e insignificante aquela viagem seria, mas eu deveria estar desejando o melhor para minha vida. Essa viagem de trem que pode durar vários anos, porém que pode ser interrompida em segundos, então que tenha seus méritos para os tão cobiçados fôlegos de vida, não é? 
   O tal muro me permitiu adquirir o talento de boa desenhista. Eu dividi a parede em pequenas partes e, nos momentos críticos, desenhei o que me viesse na cabeça. Então eu tinha minha vida como um corpo repleto de tatuagens bem elaboradas, umas nem tanto, e as dores de ter marcado a pele com tinta. Eu convivi com a possibilidade de me tornar uma ótima atriz e desenhista; inventei sorrisos e desenhei perspectivas de melhoria para uma pessoa sem estima alguma, e lá estava eu, sem o melhor para mim, mais uma vez.
   E tem a câmera .. a ideia de uma foto espontânea e especial me atormentava o pensamento. Mas era um tormento bom; que me instigava a pensar que eu levaria ela a todo lugar. O objeto seria meu parceiro de solidão... eu não ficaria mais mordendo os lábios, dedilhando os dedos sob alguma superfície gelada ou imaginando cenas que eu gostaria que acontecesse comigo. Mas eu me permiti esperar até que ninguém mais quisesse a polaroide para que eu pudesse tê-la. Eu coloquei algo que me faria bem ao mérito de espera por que queria ser especial  depois, quando ninguém a tivesse ou por que queria pagar mais barato e me exibir com a peculiar câmera? Eu coloquei objetivos pequenos em escanteio.
   Sobre ser amada, eu entendi todo o resto. O problema era esperar tudo que viesse de algo externo, só que o interior não estava organizado. Eu estava quebrada, e a fé era a cola. O muro me impedia, mas a felicidade de uma pequena foto tirada com orgulho pode ajudar um pouco. Eu vou esperar que as pessoas não depositem fé nos outros e sim no que traz a felicidade de verdade; eu vou esperar que, com as minhas palavras, quem está construindo uma parede hoje, pare antes que vire um muro; e vou esperar que as fotos sejam tiradas, porque lembrar do que nos faz bem é sempre saudável. Mas eu vou esperar, ainda mais, que as pessoas descubram como se amar antes de tentar dizer que amam as outras. 
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5 comentários:

  1. Amei esse teu texto e principalmente o teu blog.

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  2. Ta tão perfeito,tudo oque você escreveu com certeza vou levar para minha vida toda.Nunca para de escrever pois você tem um futuro incrível pela frente :q

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  3. - Os seus textos são incríveis, me apaixonei pelo seu blog e não consigo mais parar de ler. Invista nisso garota, você tem talento.
    Tudo de bom *---*

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  4. perfeito esse texto e os outros também, mas, infelizmente você não gosta de mim :f

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  5. Tudo nesse blog é perfeito ,parabéns!!!

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