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Egoísmo ao extremo.

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   Eu me odiei por cada minuto, cada segundo que você estava aqui. Não que eu não quisesse que você me alegrasse com sua voz ou com suas palavras gentis, é só que... por favor, por que você simplesmente não grita comigo, vai embora e nunca mais ousa voltar? Por que você insiste em aparecer por perto e se tornar tão vulnerável, fazendo com que eu deseje poder te proteger por, pelo menos, mais uma vez? 
   Amor nunca foi o meu forte e jamais será. Você, no entanto, chegou e acabou com o pedaço de muro que eu havia construído, baseado em promessas de que eu estava contente com a solidão e que não havia motivos para se apegar a alguém para se tornar a minha redenção. E agora, novamente, eu estou preso em novos extremos, só que, dessa vez, ele atinge muito mais que só o meu emocional e meu frágil corpo; ele atinge você. Porque eu sou o egoísta que te ama mais do que a mim mesmo e que, em alguns momentos, quer você por perto, para que possa me amar e me fazer caricias, fazendo com que meu corpo sinta o que a tempo não sabia o significado e para que meus sentimentos se reacendam, me mantendo aquecido pelo amor e pelo ódio. 
   - Eu te amo. - As palavras saem da sua boca como vagalumes brilhantes em uma noite escura, que não sabem o quanto são cobiçados, nem o quanto são apreciados. Seus lábios delicados se curvam para esperar minha resposta, mas eu me recuso a ser o monstro que vai dizer o que sente e o que você espera ouvir; essas  três palavras podem te fazer ficar e isso seria como o inferno na terra para alguém como você. E então, pensando no melhor pra você, eu me afasto e me recuso a proferir uma sílaba que seja.
   Eu só queria que você soubesse que, no momento que você partir, eu irei me agarrar as suas lembranças como uma criança indefesa apegada a um ursinho de pelúcia em dia de tempestade. Porque é isso que eu quero ter; lembranças. Eu não faria você sofrer se só tivesse observado o modo com que você mexe no cabelo ou a maneira que você planeja o futuro, e, às vezes, acaba esquecendo de viver o presente. Mas o problema era que eu precisa sentir o seu toque, necessitava saber que você iria precisar de mim tanto o quanto eu precisava de você. E então aconteceu.
   Você foi embora sem aviso prévio e eu fiquei me martirizando com palavras, atitudes e com o cheiro que você havia deixado em meus lençóis. Meu lado bipolar termina com o resto de força que resta em meu ser e eu decido que vou te deixar ir. "Mas eu estou cansado de me sentir sozinho; de dormir sozinho" eu penso. Logo balanço a cabeça e me conformo, apegando-me na ideia de que foi um ato de amor pelo qual eu não te prendi comigo.
   E então você volta. E eu estou no ciclo vicioso de amar, ser amado e querer morrer. Por favor, eu queria que você não me olhasse com compaixão, afinal, você era a única que eu necessitava que se mantivesse afastada, ou que me olhasse com pena, para que eu não me sentisse especial.
   Mas você, de uma forma tola e banal, me olha com ternura. Eu volto a ser egoísta e te querer por perto mais do que nunca. Naquela noite, eu não me perguntei sobre o que você sentia se eu parasse de respirar; eu só agi como se eu não precisasse daquela fagulha para fazer tudo ir pelos ares. Mas você, meu amor, você foi a razão por qual tudo explodiu. E terminou que você foi a salvação para um homem que já estava morto a muito tempo, mas ainda sobrevivia porque ficou obcecado por um possível amor. Você foi o amor que me manteve vivo por mais tempo e a alma que permitiu com que eu pulasse para a liberdade de uma mente confusa. Obrigado por isso.  
   
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