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O que eu vou esperar de verdade.

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   Eu esperei que a fé viesse até mim, mas eu fiquei parada, esperando o momento ruim me abater pra que eu pudesse procurar algo para me apegar; eu esperei como um passageiro do último trem da noite, que só quer voltar para casa, então por mais sujo e sem significado ele fosse, ele seria pego do mesmo jeito. Eu esperei construir uma parede por onde ninguém veria a minha fraqueza refletida no espelho, e é por isso que eu só olho nos olhos de quem eu confio. Eu consegui construir a parede, mas no final do dia, ela estava lá como um muro, que não só escondia, mas sim me afastava de tudo e todos. Eu conclui que deveria esperar até que ninguém mais quisesse uma polaroide para poder comprar a minha; ela ficaria mais barata e eu, com sorte, encontraria uma pequenina câmera azul, com fotos que saiam na hora, em uma prateleira qualquer, em uma loja qualquer. E então eu esperei ser amada.
   A fé não veio até mim, porque eu não senti de verdade; por mais que eu quisesse sentir, eu colocava empecilhos e nunca me dedicava à isso. O passageiro do último trem podia até não se importar o quão sujo e insignificante aquela viagem seria, mas eu deveria estar desejando o melhor para minha vida. Essa viagem de trem que pode durar vários anos, porém que pode ser interrompida em segundos, então que tenha seus méritos para os tão cobiçados fôlegos de vida, não é? 
   O tal muro me permitiu adquirir o talento de boa desenhista. Eu dividi a parede em pequenas partes e, nos momentos críticos, desenhei o que me viesse na cabeça. Então eu tinha minha vida como um corpo repleto de tatuagens bem elaboradas, umas nem tanto, e as dores de ter marcado a pele com tinta. Eu convivi com a possibilidade de me tornar uma ótima atriz e desenhista; inventei sorrisos e desenhei perspectivas de melhoria para uma pessoa sem estima alguma, e lá estava eu, sem o melhor para mim, mais uma vez.
   E tem a câmera .. a ideia de uma foto espontânea e especial me atormentava o pensamento. Mas era um tormento bom; que me instigava a pensar que eu levaria ela a todo lugar. O objeto seria meu parceiro de solidão... eu não ficaria mais mordendo os lábios, dedilhando os dedos sob alguma superfície gelada ou imaginando cenas que eu gostaria que acontecesse comigo. Mas eu me permiti esperar até que ninguém mais quisesse a polaroide para que eu pudesse tê-la. Eu coloquei algo que me faria bem ao mérito de espera por que queria ser especial  depois, quando ninguém a tivesse ou por que queria pagar mais barato e me exibir com a peculiar câmera? Eu coloquei objetivos pequenos em escanteio.
   Sobre ser amada, eu entendi todo o resto. O problema era esperar tudo que viesse de algo externo, só que o interior não estava organizado. Eu estava quebrada, e a fé era a cola. O muro me impedia, mas a felicidade de uma pequena foto tirada com orgulho pode ajudar um pouco. Eu vou esperar que as pessoas não depositem fé nos outros e sim no que traz a felicidade de verdade; eu vou esperar que, com as minhas palavras, quem está construindo uma parede hoje, pare antes que vire um muro; e vou esperar que as fotos sejam tiradas, porque lembrar do que nos faz bem é sempre saudável. Mas eu vou esperar, ainda mais, que as pessoas descubram como se amar antes de tentar dizer que amam as outras. 
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Minha Kriptonita: Ciúmes.

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   A frase que definiria a kriptonita de querer proteger alguém de uma forma tão obsessiva é "o que é meu é meu e o que eu acho que é meu, é meu também". E é com esses quatros "meu" que o inferno da perseguição começa. É complicado definir o que está sob posse de alguém; pode ser por ter ganhado por herança, adquirido pelo dinheiro ou ter se denominado dono porque o sentimento é mais forte que o de qualquer um outro, mas sejamos claros e realistas: nada é de ninguém.
   Existem uns cinco tipos de ciumentos, e, os três primeiros podem se classificar no "gracioso", porém os outros dois... basicamente se tem duas soluções: ou o coloca no hospício, porque esse apego vai consumir a relação e tudo que envolve os dois ou tranca as janelas, a porta e toca fogo *ATENÇÃO: a escritora que aqui vos fala não está insinuando que homicídio deva ser praticado, mas caso seja extremamente necessário, ou acabe ocorrendo por acidente, uns episódios de CSI podem ajudar a resolver a situação* . O primeiro exemplo é o famoso "ah". "Vou sair com a fulana hoje, ok?" "ah, tá bom."; "desculpa, eu já vou fazer o trabalho com o ciclano" "ah, ok, eu faço com outro". Esse ciúmes é quase que imperceptível, entretanto ele está lá sendo representado por um "AQUELE BISCATE? VOCÊ VAI SAIR COM AQUELA GAROTA QUE TEM CARA DE SOFRIDA? AQUELA... AQUELA... DESGRAÇA?" ou pelo simples "EU TE DOU O MEU FÍGADO, DIVIDO O MEU LANCHE COM VOCÊ E AGORA VOCÊ DIZ QUE ESSE REGINALDO ROSSI MIRIM AÍ VAI ME SUBSTITUIR?". O segundo e o terceiro se separam por um simples detalhe de coragem; enquanto um pergunta "então você deixou de me amar? Ama mais ela do que eu?", - se limita a deixar somente você entender o que está se passando - o outro parte pra ignorância de palavras agressivas ou tweets rudes - vamos espalhar para o mundo inteiro a minha raivinha :) 
   Seja como for, a verdade é que ciúmes - nos três estágios primeiros - só é fofo quando não são somos nós que, mentalmente, estamos imitando, de uma forma mega irritante, a voz da pessoa que está tendo se aproximar de um amigo que você considera só seu. Só é bonitinho quando não é você que quase abre a boca para dizer "não fique conversando com esse povo aí, você é só minha". Porque se for você, caro leitor, eu aconselho a não chegar no estágio quatro, onde o ódio fica exposto e a liberdade vai se esvaindo aos poucos. Ou no cinco, que você acaba com a privacidade e direito dos outros em conhecer novas pessoas. 
   Ciúmes é bom, em certos momentos; demonstra o quanto o outro significa pra você, mas nada é completamente nosso. Tudo se vai em algum momento, então não vale a pena se apegar a uma tentativa (futuramente frustrada) de tentar manter alguém só pra você... o sentimento de raiva pode ser produzido. Ciúmes e zelo podem andar juntos, assim como ciúmes e antipatia.
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Carta de adeus.

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Se você lesse isso, acho que você pegaria o telefone e ligaria na primeiro segundo. Você sabe o quanto eu sou fraca e eu sei que você não tem completa certeza se eu teria ou não coragem para acabar com o sofrimento. Eu não teria coragem pra te magoar, ou para brigar com você, porém eu sei que o seu amor por mim iria além de minha dor interna. Se, então, eu morresse hoje, você seria, provavelmente, a única que não pensaria "mas ela sempre pareceu tão feliz..." porque você sempre soube que eu tinha as minhas recaídas e que as lágrimas que escorriam por meu rosto e desciam até meu colo eram como se cada uma significasse um martírio; um bilhete que eu estava deixando para um bom ouvinte, aquele que estivesse ali para notar que eu não tinha razões para ser triste, mas ainda sim, estava morta a muito tempo. 
   A única coisa que eu fiz foi acabar com o sofrimento alheio. O problema sempre foi eu e, você pode não ter notado, mas eu fazia você sofrer também. Quando eu chorava, diga com sinceridade, você tremia por medo que eu fosse fraca, não tremia? E quando eu dizia que estava com minhas recaídas, venha me dizer que não passava pela sua cabeça todas as coisas obscuras que você sabia que minha cabeça estava rodeada. 
   Eu sinto muito por fazer você segurar seu fôlego toda vez que eu dizer que te amo, porque você pode estar se perguntando se essa vai ser a última vez que vai ouvir isso de mim. Eu peço desculpas por você tremer quando eu começo a agradecer pelo amor que me deu, porque eu senti cada palavra de amor que você proferiu e isso valeu mais do que todos os momentos de dor e batalha com minha própria mente. Eu imploro perdão por ter sido egoísta de fazer com que você se apegasse a uma suicida. 
   As lágrimas que descem por minhas bochechas, chegam até minha boca e mostram o seu salgado sabor são consideradas pedaços de liberdade para alguém que sofreu em silêncio. Eu não sei como aconteceu, a razão pela qual isso acontece; eu só sei que preciso de paz e foi por isso, que ontem a noite, eu orei por paz. E pedi para que Ele me acalmasse e me levasse embora. Seria egoísmo seu, e de todos que iriam se perguntar porque eu tirei meu próprio fôlego em um ato covarde e fraco, se quisesse que eu continuasse sobrevivendo, vagando por aí, a cada dia, como uma pessoa sem alma. 
   Eu queria poder dizer aquele "até logo", mas seria covardia te dar a esperança de que eu vou regressar e que tudo não passou de um pesadelo. Isso é um adeus, não um até logo. Entenda isso e supere o fato que acabou. Acabou não por uma traição ou por um erro, acabou porque eu não consegui manter a vida que os outros queriam que eu vivesse e assim, com palavras não vão mudar mundo nenhum, nem ninguém, eu me despeço da vida.
   Adeus. 
   E não duvide, por um segundo que seja, que eu te amei; porque você fez um coração que até pouco havia parado de bater, acabar se apaixonando pela vida por alguns segundos novamente.
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Egoísmo ao extremo.

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   Eu me odiei por cada minuto, cada segundo que você estava aqui. Não que eu não quisesse que você me alegrasse com sua voz ou com suas palavras gentis, é só que... por favor, por que você simplesmente não grita comigo, vai embora e nunca mais ousa voltar? Por que você insiste em aparecer por perto e se tornar tão vulnerável, fazendo com que eu deseje poder te proteger por, pelo menos, mais uma vez? 
   Amor nunca foi o meu forte e jamais será. Você, no entanto, chegou e acabou com o pedaço de muro que eu havia construído, baseado em promessas de que eu estava contente com a solidão e que não havia motivos para se apegar a alguém para se tornar a minha redenção. E agora, novamente, eu estou preso em novos extremos, só que, dessa vez, ele atinge muito mais que só o meu emocional e meu frágil corpo; ele atinge você. Porque eu sou o egoísta que te ama mais do que a mim mesmo e que, em alguns momentos, quer você por perto, para que possa me amar e me fazer caricias, fazendo com que meu corpo sinta o que a tempo não sabia o significado e para que meus sentimentos se reacendam, me mantendo aquecido pelo amor e pelo ódio. 
   - Eu te amo. - As palavras saem da sua boca como vagalumes brilhantes em uma noite escura, que não sabem o quanto são cobiçados, nem o quanto são apreciados. Seus lábios delicados se curvam para esperar minha resposta, mas eu me recuso a ser o monstro que vai dizer o que sente e o que você espera ouvir; essas  três palavras podem te fazer ficar e isso seria como o inferno na terra para alguém como você. E então, pensando no melhor pra você, eu me afasto e me recuso a proferir uma sílaba que seja.
   Eu só queria que você soubesse que, no momento que você partir, eu irei me agarrar as suas lembranças como uma criança indefesa apegada a um ursinho de pelúcia em dia de tempestade. Porque é isso que eu quero ter; lembranças. Eu não faria você sofrer se só tivesse observado o modo com que você mexe no cabelo ou a maneira que você planeja o futuro, e, às vezes, acaba esquecendo de viver o presente. Mas o problema era que eu precisa sentir o seu toque, necessitava saber que você iria precisar de mim tanto o quanto eu precisava de você. E então aconteceu.
   Você foi embora sem aviso prévio e eu fiquei me martirizando com palavras, atitudes e com o cheiro que você havia deixado em meus lençóis. Meu lado bipolar termina com o resto de força que resta em meu ser e eu decido que vou te deixar ir. "Mas eu estou cansado de me sentir sozinho; de dormir sozinho" eu penso. Logo balanço a cabeça e me conformo, apegando-me na ideia de que foi um ato de amor pelo qual eu não te prendi comigo.
   E então você volta. E eu estou no ciclo vicioso de amar, ser amado e querer morrer. Por favor, eu queria que você não me olhasse com compaixão, afinal, você era a única que eu necessitava que se mantivesse afastada, ou que me olhasse com pena, para que eu não me sentisse especial.
   Mas você, de uma forma tola e banal, me olha com ternura. Eu volto a ser egoísta e te querer por perto mais do que nunca. Naquela noite, eu não me perguntei sobre o que você sentia se eu parasse de respirar; eu só agi como se eu não precisasse daquela fagulha para fazer tudo ir pelos ares. Mas você, meu amor, você foi a razão por qual tudo explodiu. E terminou que você foi a salvação para um homem que já estava morto a muito tempo, mas ainda sobrevivia porque ficou obcecado por um possível amor. Você foi o amor que me manteve vivo por mais tempo e a alma que permitiu com que eu pulasse para a liberdade de uma mente confusa. Obrigado por isso.  
   
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Recaída.

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   Eu poderia dizer que tento, ao máximo, ficar longe da bipolaridade; e é por isso que me mantenho mais calada que expondo o que penso. Quando as pessoas falam, a raiva, a irritação e a inquietude preenchem um espaço que poderiam ser usado pelo silêncio; silêncio esse que abrange todos os sentimentos e todas as suas possibilidades. E é por isso que eu gosto do silêncio. 
   Em oposto a isso, meus momentos favoritos são associados a um simples passeio de carro, no banco do carona, onde eu posso ver pessoas estressadas, com vontade de voltar pra casa, ou crianças pulando, animadas, nos bancos de trás, visando o destino final, que possivelmente seria um shopping ou a casa da avó. Eu gosto do som de várias coisas juntas, mas que não tem associação a nada. Elas são só barulhos de uma cidade caótica, repletas de suas desilusões e realidades que gritam pra que você não acredite no impossível. Ou nos contos de fadas. Ou no amor, talvez. E isso que eu gosto. 
   Eu gosto de não precisar me apegar a um carro que está estragado no meio da estrada, nem sobre uma sinaleira com defeito. Eu prefiro ver as coisas da minha isolada janela, e analisar como se os outros não pudessem me julgar. E na verdade, eles até podem, porém não o fazem. Quem teria prazer em analisar estranhos? A mesma pessoa que, provavelmente, escreve tanto sobre tantas coisas, que acabou se iludindo na crença de mudar um mundo com palavras. Quanta idiotice!
    Muitos dizem que se deve aproveitar a vida, e eu pergunto agora porque eu não poderia aproveitar tudo com meu silêncio confortador. Dos meus lábios não saem som, mas eu me arriscaria dizer que são pessoas com os lábios como os meus, quietos e imóveis, que possuem as mentes mais enroladas, imaginativas e felizes. Bom, talvez não felizes, mas essas mentes são levadas a um mundo bom, onde as coisas parecem ser como sempre quisemos. É como se fosse um efeito alucinógeno, e isso só é experimentado por pessoas que são julgadas de retraídas e anti-sociais.
   E há também os que dizem que eu deveria ser escritora. Eu seria escritora se a cidade não fosse repleta de desilusões, porque, convenhamos, todos sabemos que nossos problemas não são mais ou menos especiais; são só problemas, que se tornaram desilusões e que estarão fazendo jus a um mundo sem super-heróis. 
   Perdoe a minha indelicadeza de expor a dura realidade; eu prometo fazer um texto mais agradável no Natal. Ou talvez antes, caso eu aprenda como sair do carro em um dia de tempestade, sem ser atropelada, e descobrir a razão do porquê eu sempre sorrio quando estou na chuva. Caso isso acontecer, eu ainda estarei em silêncio e ainda saberei que estou rodeada de ruídos e decepções, entretanto minhas recaídas de felicidade estarão mais corriqueiras e isso é suficiente pra mim. 
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Sinais clássicos de amor.

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   Eu escutei blues, mas me apaixonei por jazz. Escutei milhares de canções envolvendo guitarras e violões, porém parecia que o piano sempre chamava mais a minha atenção. E, então, como em um furacão bipolar, eu estava notando que o amor estava me aprisionando à coisas incomuns. Incomum como amar você. 
   Não é como se eu pudesse escolher entre Paris e Londres, mas eu confesso que com você... ah, com você eu poderia estar em qualquer lugar, que as luzes pareceriam perfeitas como perto da torre Eiffel e as palavras sairiam lindas e perfeitas como se fossem ditas com o sotaque britânico. Tem também essa coisa de jantares românticos em lugares caros; você sempre soube que eu nunca gostei de ter que me portar completamente polida, por isso faz questão de dizer que sua comida caseira é mais importante que aqueles pratos bem decorados e com pouco comida, de fato. Gosto que você não deixa seus gostos de lado, mas tenta adquirir alguns costumes meus. 
   Você nunca gostou muito de bilhetes, mas parece querer uma tela do tamanho do céu para conseguir explicar os motivos pelos quais me ama, afinal, você se enrola bastante pra tentar dizer o que sente. Mas não encare isso como algo rude; suas sobrancelhas ficam lindas do jeito que você as junta, tentando lembrar de palavras difíceis que leu, para tentar proferir algo e se fazer de culto. Você não se apaixonou por minhas palavras, então não se preocupe, eu não as cobrarei de você.
   A verdade sobre o furacão bipolar em minha cabeça é que, ele está a bônus de dúvida. Esse furacão pode fazer estragos, ou seja, pode ser que, no final de dia, eu desejaria não ter conhecido você, porque, no fundo, sempre soube que não teria chances de você me amar ou pode ser que eu te ame ainda mais e esteja desfazendo o clips, em seu formato real, para poder fazer um bobo anel e arrumá-lo no seu dedo, para que pudesse casar com você todo dia; jurar o pra sempre todo dia. Outra coisa que deve ser lembrada é que você deveria estar procurando por um porão ou algum lugar seguro, porque, meu amor, isso tudo é bipolar e não há seguro de dar certo. 
   Só que ainda sim eu compraria uma caixa de clips todo o mês se fosse necessário, pararia de ouvir jazz se você me pedisse, e tentaria me apaixonar pela guitarra e pelo violão igualmente ao piano. Amor é tentar conciliar tudo, manter um equilíbrio entre ter e ser, ganhar e entregar, mas o que eu sinto por você é esse furacão bipolar, que não faz sentido algum, mas que é prazeroso demais pra esquecer.
    
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Sessão Nostalgia

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    Para a completa alegria desse sábado meio nublado, minha mãe me deixou sentada em um banco do shopping por uma hora e meia. Porque felicidade assim a gente não encontra todo dia... MAS para a minha real alegria, eu tive um bônus de consolação: duas músicas do
Olly Murs e uma do Ed - shopping com british feelings  
   Então eu pensei no post de hoje e BAM! foi isso que me veio na cabeça: músicas mais velhas
mas que eram as top da balada alguns anos atrás.
E aí está a lista.



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Adeus.

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   Eu estava triste naquela manhã, ela não havia aparecido na escola, e, quando eu havia passado na casa dela após estar sozinha o dia inteiro, ninguém me atendeu. Eu liguei a noite inteira. Dormi ao lado do telefone residencial e do celular rotineiro que eu sempre usava para mandar mensagens sem sentido para minha melhor amiga esquisita. Eu não soube nada dela por dois dias e os "e se ela.." se consumiam. Ninguém me atendia na casa dela, nem pelo celular. Não que eu pensasse que estava sendo ignorada, afinal, não havia nenhum carro na garagem, nenhuma luz ligada em sua casa, já tão familiar para mim; eu sabia que algo estava errado.
   Eu chorei as três noites que antecederam a notícia por medo. Ou sempre fui de sofrer por antecedência, por receio das coisas que minha cabeça criava quando eu sentia que uma notícia ruim estava por vir. Mas daquela vez eu sabia, eu sabia que não era besteira da minha cabeça, que já me enganara tantas vezes antes. "Olá" falei, com a voz falhada, em entusiasmo por ouvir a voz da mãe de minha melhor amiga do outro lado do telefone. Entretanto sua voz era baixa e saiu em sussurros. "Posso falar com a..." "ela... meu amor... minha pequenina... ela morreu". Eu vacilei um pouco para o lado do sofá, em descrença no que acabara de ouvir. Era uma brincadeira, só podia ser! "O quê?" eu perguntei, baixinho, como se estivesse apostando em algo: se ela não ouvisse a minha pergunta, não entenderia meu desespero, e poderia acabar com aquela besteira de brincadeira de mau gosto. "Ela tentou se matar, bi". Aquelas palavras rondaram a minha cabeça pelo longo minuto, que pareceu uma eternidade, em que ela ficou em silêncio após dizer o que acabaria com meu mundo. "e ela conseguiu". 
   Eu não tive forças para ficar de pé, por isso pedi desculpas e desliguei o telefone. Me atirei no chão e agarrei os cabelos. Ela não era só uma daquelas amigas que você fica feliz por ver todos os dias, ela era a garota que me fazia rir, quando eu queria gritar. Era a idiota que havia posto a prova que eu também podia amar. Era ela a minha confidente, e eu, a dela. Eu só queria... só desejava explicações. Eu descobri que era tudo verdade quando, no dia seguinte, seu armário estava com flores, velas, ursinhos, cartões, tudo em memória de uma alma perdida. Eu gritei naquele instante. Eu não havia chorado até aquele momento, mas toda aquela loucura não parecia estar de acordo com a minha realidade. Eu bati no armário dela, berrando ao céus que necessitava dela, perguntando qual a razão de tudo aquilo. Tentaram me acalmar, mas eu sentia uma faca cravada no meio do peito, que só incomodava, incomodava muito, mas não matava. Não me tirava do sofrimento, pelo contrário, só me mostrava ainda mais como era sofrer de verdade. Eu nunca tinha entendido muito como era a ter um pedaço arrancado de você, porque eu sempre escutava isso das pessoas que perdiam algum ente querido, entretanto aquela definição parecia fazer sentido quando eu vi seu caixão descendo, indo em direção a uma cova escura, vazia, gélida. 
   Eu lutei com todo o meu ser para não chorar no enterro de minha melhor amiga, e consegui. Consegui até notar que eu tinha arrependimentos. Eu me arrependo de nunca ter dito que ela jamais precisou ser perfeita fisicamente pra que eu soubesse que ela merecia o melhor cara do mundo para tomar conta do coração ferido dela. Eu me arrependo de não ter notado os cortes nos pulsos dela. Eu me arrependo de não ter sido  a metade da boa amiga que ela foi para mim. Eu me arrependo de colocar flores na lápide dela agora e não ter dado uma pequena rosa ou um lírio que fosse, enquanto ela estava viva. Eu jamais falei da razão por amá-la, da razão de sentir que necessitava dela ao meu lado todos os dias. Eu talvez faça parte da razão pela qual ela se matou. Talvez eu seja a razão pela qual ela tenha aguentado mais tempo. Ela não me deixou completamente no escuro. A escola acabou, e eu me formei. Já tinha tudo em vista, um futuro planejado.
   E então, pelo correio, chegou uma carta com um endereço conhecido. Era a casa dela. Talvez aquela carta tenha me dado forças que eu jamais saberia de onde tirar para poder me perdoar, para poder superar o fato de que eu não fui o suficiente para a melhor amiga do mundo continuar viva. "Oi, moça. Você se formou, então? Não poderia esperar menos de você" era a letra dela. A carta pareca ter o cheiro que eu sentia toda vez que a abraçava fortemente todas as manhãs. "Bi... eu sei que você quer me matar, mas olhe, eu estou morta. Desculpa pela piada infeliz, mas essa é a verdade que você vai ter que conviver. Eu te amo, sabe? Eu não me matei porque seu amor por mim não foi o suficiente, jamais pense isso! Eu me matei porque, por dentro, já estava morta antes, e isso estava me torturando aos poucos, o que era ainda pior" Agarrei a carta com toda a força e dor que restavam em meu ser e amassei. A joguei contra a parede e gritei por tudo que estava voltando a tona. Arrependida, voltei e abri o papel novamente. "então meio que você vai ter que considerar isso pra me perdoar, ok? Olha, eu jamais saberei como vai sua vida, e, antes de morrer, isso foi a coisa que eu mais considerei. Sabe, minha chata, eu nunca vou poder te proteger de tudo, nunca vou poder fazer com que você não chore, que não seja magoada por alguém, ou que se torne uma biscate dos infernos - NUNCA SE TORNE UMA BISCATE DOS INFERNOS, OK? EU VOLTO DOS MORTOS PRA BATER EM VOCÊ! - mas eu só pude garantir que você fosse feliz por alguns dias da sua vida. Isso é mais que suficiente pra mim. E sei que você está chorando, que está me odiando talvez, porém você me fez me sentir viva uma vez na vida. Isso me deu forças para continuar em momentos difíceis e é por isso que eu estou aqui, escrevendo isso, enquanto encaro o pote com os remédios que eu estou prestes a tomar, porque você merece um descanso. Você não foi a culpada por eu não estar aí pra ver você se formar, você foi a razão pela qual eu posso dizer que estou morrendo sem arrependimentos. Morrendo meio que feliz. Obrigada." 
   Aquela era a minha despedida.
   "Eu nunca me amei, e você sabia disso. Eu não culpo ninguém por isso, jamais seria egoísta a tal ponto. Só queria que você soubesse que, quando você me abraçava, quando dizia que me amava, eu chegava perto de sentir amor por mim mesma. E isso foi a maior vitória de minha vida. Eu sinto muito por não ter sido a amiga que conseguiu suportar tudo, nem a que te fez sorrir mais vezes, mas a vida não foi boa pra mim, e eu sinto muito se eu estou fazendo com que pareça que a vida não é boa para você também. Eu sinto muito por todo mal que causei. Aproveite sua vida como se eu ainda estivesse aí para conviver com você, porque pode ter certeza, se eu puder vagar, com a minha pobre alma por aí, eu irei me certificar de cumprir todas as promessas que eu te fiz." Eu estava quase na última linha e meu coração estava lento, como se a qualquer minuto fosse parar de tanta angustia, saudade, e sentimentos escondidos. "Principalmente a te amar para sempre." 
    Amizade pra mim e pra ela era isso: apesar da morte, sentir o amor, quando parecesse que não havia sentimento algum ali. 
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Play Two Times

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   Hey, lindas pessoas que ainda não me disseram um nome melhor pra esse quadro - ou pelo menos um menos idiota,
   Hoje, faltando um mês e três dias para meu intercambio lindo, maravilhoso e "surtante", estou aqui pra apresentarem vocês outra coisa que ocupa o meu tempo. Música. Bem, não é bem surpresa, mas né? Tipo, eu respiro música - e acho que a maioria das que estão lendo isso também - mas o ponto é que dessa vez vocês vão poder me ouvir cantar :P O vídeo estará mais pra baixo, e agora eu vou parar de enrolar e apresentar as minhas opções para hoje: CIMORELLI.
   Você, cara leitora/caro leitor, já deve ter visto algum cover delas pela internet, entretanto o legal é que agora elas estão fazendo músicas próprias, mesmo eu achando que elas ainda são melhores sucedidas em covers... vê aí e decide por si mesmo.

(Believe It)


(Made In America)


E o meu cover de "DNA", da girlband Little Mix :) 

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Minha Kriptonita: Confissão anônima.

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Então é isso; eu sou uma bagunça. É isso. Eu nunca vou ter o corpo perfeito e eu meio que queria isso, sabe? Sei lá, dar uma variada de tantos defeitos físicos... e sabe aquela coisa de "teus erros de fazem mais forte?" aaah, pois é; eles não fazem! Você só se sente pior; você acaba se escondendo com medo de machucar alguém que ama ou acabar machucado. E então tem dias bons.. mas outros que nossa, são terríveis.
Uma vez eu disse "você é a única que eu não tenho vontade de me afastar. Você é especial; você é a única que eu jamais quis deixar", só que eu me tornei mentirosa hoje. Ela me disse "ela te odeia" e eu perguntei o porquê; ela responder que a outra me odiava porque eu fazia questão de manter as amizades que essa outra deixava de lado... mas sabe? Não é por isso que eu sou odiada. Eu sou odiada porque nunca fiz questão de manter as coisas boas; eu nunca fui muito normal e talvez seja isso que acabe fazendo as pessoas irem embora. Elas querem alguém que seja sempre amável, que nunca fique calada por estar pensativa; É ISSO QUE TODOS QUEREM! Mas adivinhem? Essa pessoa não existe!
Eu vivo amando bipolarmente o meu cabelo - e em minha defesa, ele não colabora também; não tenho um humor muito constante, se eu fico calada é porque estou pensando na vida, nos meus erros, ou simplesmente que estou com fome e que as batatas do McDonald's sempre parecem bem apetitosas... eu não sou a pegadora, tenho bastante vergonha de meninos e eu tenho simplesmente vergonha de falar com muitas pessoas. Até por telefone, caramba! Até por telefone eu tenho vergonha, de vez em quando. Eu sou complicada, tem dias que minha própria cabeça se torna minha inimiga, apontando meus defeitos e NÃO! eu não preciso de ajuda; eu não preciso de ajuda para ter confiança. auto-estima ou qualquer outra merda que as pessoas achem que está faltando em mim. Me falta peito, dinheiro e boa vontade então! Quem vai dar um jeito nisso? Isso aí, ninguém! E eu estou bem assim, só que tem horas que eu só quero ser entendida, respeitada e ficar em silêncio até tudo passar.
Uma pessoa como eu, assim desse jeito, só encontra amizades verdadeiras quando acha pessoas que respeitem isso, e, no final do dia, ainda queira estar lá; para ser amigo.

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Algumas verdades.

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   As pessoas morrem para saber a verdade, lutam para serem justas, ficam com raiva por não entender a razão de tanta mentira, e, no fim, são todos hipócritas com medo de mudar o mundo começando por si mesmo. Quer saber? Você jamais teria coragem de gritar as suas verdades para todos! Jamais! E entenda isso com um tom de voz imperativo; eu estou julgando você agora.
   Sabe aquelas vezes que você mentiu que tinha algum compromisso, só para não receber uma visita, ou fazer uma visita? E aquelas que você julga ser uma mentira amiga? Você fica dizendo que a amiga está ótima com aquele novo corte de cabelo, ou que sim, você ficou feliz com aquele presente de Natal. Um par de meias. Tem tanta coisa por trás dessas mentiras, que elas acabam nos persuadindo a continuar com uma falsidade. É isso em que estamos baseando a nossa vida, não é? Em mentiras. Ou melhor, em falsas verdades.
   Vamos ser honestos; haverá dias em que você vai ter vontade de mandar todo mundo calar a boca e simplesmente gritar até com o mendigo, mas sabe? Você não precisa inventar que tem dentista e que por isso não vai poder sair. Você vai se sentir uma porcaria de vez em quando e vão te perguntar se você gostou do seu novo plano de saúde. Provavelmente você vai contar até três antes de responder, enquanto na sua cabeça, a pessoa que teve a infeliz ideia de perguntar estava sendo esquartejada na sua cabeça - pausa para uma carinha feliz depois dessa frase agressiva :) - e você vai responder um simples "sim". Mas vai chegar um dia que você vai se embolar em suas próprias mentiras; um dia em que você vai gritar, vai xingar e vai se arrepender depois.
   E vai estar tudo bem. A moral da vida é você ter equilíbrio, sabe? Mas isso não quer dizer que eu ou que você saibamos como ter. Talvez nós iremos passar a vida inteira buscando isso e, no fim, ainda não vamos saber como é; mas acho que ainda sim é válido ser honesto nos detalhes. Com delicadeza, e não petulância de dizer tudo que lhe vier na cabeça; nem toda verdade deve ser dita. 
   "Amigos são aqueles que você não tem vergonha de sorrir, mesmo estando sem os dentes; eles vão rir, mas estará tudo bem, porque amigos são assim... eles riem com você, de você, porém nunca te deixariam sem um sorriso. Por mais que você seja horrível sorrindo". 
   
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