Image Map

Press

Futuro.

`
   O que esperar dessa palavra com seis letras que, normalmente, está relacionada a nossa primeira pergunta, lá no jardim de infância? Umas pessoas querem ser ricas, outras tem sonhos absurdos e algumas não fazem a mínima ideia da resposta; eu me encaixo nessa última opção. Não que eu não queira ser rica, ou tenha um sonho maluco, a verdade é que nada é muito certo em minha cabeça, então só me resta fazer planos.
   Planos, esses sim consomem grande parte do meu dia e até mesmo algumas noites de sono. É engraçado pensar que você pode se dedicar anos e anos estudando para um determinado curso e um acordar, olhar o teto do quarto e pensar "não é isso! O que eu ainda faço lá?". É engraçado e trágico, porque você tem muito tempo pra escolher e ainda o faz errado. Se bem que é humano errar e bobo é persistir no erro, então antes tarde do que nunca, certo?! Não! Muitos serão orgulhosos demais e irão simplesmente puxar a coberta e voltar a dormir.
   Não existe uma resposta genérica, no mundo não há ninguém igual, o que resulta em pensamentos diferentes, profissionais diferentes, erros diferentes. Acho que o nosso maior erro é demorar em admitir para nós mesmo que o jeans já não serve mais, que já enjoamos do iogurte favoritou ou que o perfume não é mais tão bom quanto era da primeira vez; demoramos em admitir que mudamos. Sim, nós mudamos, evoluímos, ou regredimos, seja como for, o futuro será diferente do que esperamos que ele seja.
   Se nada vai ser como esperamos, por que se importar? Vamos viver, não só sobreviver; vamos gritar e não sussurrar; vamos dançar ou correr, e não caminhar normalmente.
   Futuro é inesperado, e essa é a graça dele. Seria irônico acreditar que o destino te manteve com o mesmo número da calça, com o mesmo gosto pra iogurte ou ainda adorando o mesmo  aroma. Seu futuro é seu, de mais ninguém, ele ainda vai estar lá caso resolva levantar da cama e entender que talvez esteja no caminho errado. 
   O que você quer ser quando crescer?
    
0

Olá, futura directioner

`


   Nada mais é como aqueles tempos de adolescente, não é? Hoje estamos casadas com vários filhos. Ou com só um, que é solitário com a desculpa de uma vida melhor; uma vida dedicada exclusivamente para ele. Trabalhamos cinco ou seis dias por semana, para que seja preenchido o vazio de uma felicidade real.
  Num domingo chuvoso, vemos no noticiário da noite que Zayn Malik morreu com problemas respiratórios e que o funeral será terça-feira. Seu marido te olha por rápidos segundos e logo depois uma lágrima teimosa escorre por suas bochechas. Zayn era seu "marido platônico"; aquele que você sempre sonhou em conhecer, abraçar, fitar os olhos âmbar ou simplesmente quis tirar uma foto e ter um autógrafo para esfregar na cara de quem nunca acreditou que isso aconteceria. O jornal acaba, seu companheiro se levanta e vai pro quarto, afinal no dia seguinte existem contas pra serem resolvidas em sua empresa financeira ou clientes para serem salvos da cadeia.
   A semana passa, ninguém mais fala do menino doce que Zayn era. Você pensa "menino?". Ele não era mais um menino. Zayn era um homem casado e que parara de cantar muitos e muitos anos atrás. Aquilo fez você chorar quando aconteceu, lembra?
   Na segunda à noite, seu marido e filho saem para o futebol e te deixam em casa. Depois de ouvir o barulho do carro deixando a garagem no andar de baixo, você corre para o quarto e encontra uma caixa de plástico com bolinhas coloridas. Revistas, posters, álbuns, fotos, chaveiros, camisetas, diversas cartas e bilhetes sobre a banda estavam lá. Você pega o DVD do show e o põe junto ao corpo como uma criança levando seus livros a escola: tão animada, tão curiosa, tão cativada pelo "desconhecido". O aparelho de DVD estava na estante e você assiste ao show novamente, lembrando de músicas que estavam guardadas aquele tempo todo em sua cabeça, mas que, por alguma razão, nunca mais foram cantadas no banho e cantaroladas enquanto você lavava a louça ou cozinhava.  
    Harry se casou com uma coelhinha da Playboy, não teve filhos e produz novos artistas para o sucesso enquanto Liam é um pai solteiro maravilhoso, já que sua esposa morreu no parto de suas filhas gêmeas. Louis ainda é o maluco Louis. Não muda nunca e jamais se casou. Niall se tornou um chef de cozinha e também não tem esposa, mas adotou um menino, que é a paixão de sua vida. Por alguma razão, quando você procurar isso na internet, um sorriso idiota se abrirá em seu rosto e você vai pensar nos amigos que fez no fã clube, nas brigas com os outros, de quando as músicas dos novos discos vazavam e todo mundo tinha vontade de gritar e tudo mais. Um dia tudo vai ser corrido demais e ninguém vai entender o seu choro, o seu riso ou até mesmo sua dança idiota. Espero que nesse dia você entenda que nada mais volta; tudo foi intenso quando pôde ser, mas acabou. 
   Ser fã é algo engraçado, é algo intenso, é algo que te faz imaginar e que não deve ser esquecido. Ser fã te faz feliz, te faz ser idiota, mas cada coisinha faz parte de você. Um dia, eles vão se casar, ter filhos, desmanchar a banda e você vai se lembrar de quando jurou leiloar seu rim pra poder ir no show, no entanto não aconteceu, pois umas estavam de castigo, outras não tinham dinheiro e algumas simplesmente se esqueceram de como aquilo as fazia feliz. Feliz de verdade.
   Não é só uma banda, é uma partezinha de mim.
309
Image Map