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642 coisas sobre as quais escrever: 112

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   Segure minha mão. Enquanto atravessamos a rua, você olha para os lados, seu cabelo balança e eu tranco a respiração por uns segundos. Não quero respirar. Não quero aspirar o cheiro do seu xampu porque sei que é o que você deixou na casa dela. Não quero ter provas de que vocês se encontram e que é na cama dela que você dorme. Por isso, segure minha mão enquanto vamos desse lado da rua para o outro. Segure porque eu estou quase fugindo. Segure porque quero ficar.
   Segure minha mão. Caminhar ao seu lado sempre foi fácil; nossas alturas combinam e eu sempre me convenço que ficamos ótimos juntos, então é bom. Falaram-me que nós parecemos um casal,  mas  dizem isso brincando. Dizem tantas coisas, porém não falam sobre como você se apaixonou por ela. Mesmo que eu não quisesse saber, queria que comentassem como vocês se conheceram. De qualquer forma, segure minha mão agora porque quero lembrar de seu toque gentil, de suas mãos geladas. Segure minha mão agora porque talvez seja a última vez. Segure minha mão porque é a nossa despedida.
   Solte minha mão. Não compreendo suas lágrimas, meu amor. Por que está gritando comigo, dizendo que ela nada significava? Ela era seu tudo, por isso que não se segurou ao nosso passado. Acho que o verbo "segurar" é engraçado, pois, no geral, significa prender. Você me disse que quem muito se prende no que passou, pouco vive o futuro. Mesmo sem pensar no nosso ontem, você ignorou o amanhã, então como proceder? Solte minha mão e volte pra ela, pois desejo atravessar a rua sozinha hoje.
   Solte minha mão. Eu vejo seus olhares na minha direção, aqui e ali, mas não devia ser assim. Olhe para frente e esqueça do entrelaçar dos dedos. Esqueça pois eles não voltarão. Esqueça porque minha irmã está entrando na igreja e o vestido branco que ela usa é caro demais. Esqueça porque ela nunca soube de nós e nem nunca saberá. Esqueça e solte minha mão porque ela ama você. Esqueça e solte minha mão porque eu não te amo mais.
   Segure a mão dela. Sorria. Atravesse a rua ao lado dela e diga que seu novo corte de cabelo é bonito. Peça ajuda para pentear o cabelo, beije-a do nada, faça piadas sobre suas roupas e nunca deixe-a ir embora. Segure a mão dela porque você já fez meu sobrenome arder demais. Ela usa o seu agora e, quando vocês dizem "sim", eu grito "não" aqui dentro do peito. Porque ainda te amo. Porque ainda quero segurar sua mão. Segure a mão dela porque vocês compartilham uma casa, um sobrenome, um amor, uma família. Segure a mão dela porque eu sempre soube que não poderia ficar com você.
   Minha mão vai parar nos bolsos porque deixei a vida passar. Minha mão ajeita meus cabelos; minha mão é estralada, é bem cuidada. Minha mão se aquece com luvas. Minha mão nunca mais soube da sua e é assim que deveria ser. No entanto, não posso deixar de pensar que talvez tudo tenha acabado  assim porque um dia eu quis segurar quando nem deveria ter cogitado amar você.
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é o fim?

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   Vocês sabem como o blog começou? Céus, acho que contei essa história um milhão de vezes: primeiro ano do Ensino Médio ainda escrevia poemas sobre um amor unilateral de verão que aconteceu no ano anterior e minha melhor amiga da época pegou o caderno e mostrou para a professora de literatura. Ela disse que eu deveria compartilhar e, bem, estamos aqui. Aquela menina tímida de cinco anos atrás ainda deve estar aqui também, mas ela já não sai tão seguido mais.
   O que eu quero dizer com tudo isso? Eu sinto que acabou. Antes eu tinha um propósito de ter o blog, que era compartilhar sobre minha vida, meus gostos, minhas felicidades, meus medos, mas hoje... hoje não. Eu não sei se o sentimento é passageiro ou se realmente vai ficar, mas acredito que esse é o último ano do Não Gosto de Unicórnios. A única razão, inclusive, para esse não ser o post de despedida é porque renovei o domínio um tempinho atrás e não quero desperdiçar esse um ano.
   Espero que vocês tenham tido até aqui boas memórias com meu blog e que aproveitem esses prováveis últimos meses. Obrigada por todo apoio e por ajudarem a me construir como pessoa também.
   Obrigada de verdade.
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Mas que solidão

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   "Mas que solidão; ninguém aqui ao lado. Achei a solução... não sou mais maltratado, mas quem tem um amigPARA DE CANTAR! NÃO ME ADMIRA QUE NÃO TENHA AMIGOS." Vocês sabem que essa citação é Lispector, Burro do Shrek, não é mesmo? Então, achei que fosse uma frase muito pertinente para o assunto da postagem de hoje.
   Eu sou a amiga solteira, galera. Desde que os meninos foram introduzidos nas conversas com minhas amigas, eu sou aquela que dá conselho pra metade do mundo, mesmo nunca sendo namorada de ninguém. Tudo bem. Tudo bem de verdade. Mas você acha que fico pelos cantos chorando? Às vezes. Só algumas vezes, ok? De resto prefiro tirar fotos escondida e admirar o amor dos outros e então pensei: por que não oficializar minha solteirice e boa amizade e tirar fotos não-tão-escondidas-assim? Levando essa ideia adiante, resolvi procurar inspirações para fotos de casais e já estou planejando os pedidos formais para sair por esse mundão afora guardando momentos em pixels que, no futuro, serão queimadas de raiva ou mostradas nos slides do casamento, vou compartilhar aqui também.




















   Então, o que acharam das fotos? Não tive uma favorita, para ser honesta. Achei as em preto e branco maravilhosas, assim como as em que o céu aparecia lindo. E agora a pergunta é se alguém aí gostaria de ser meu modelo, junto de seu parceiro.
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Cabide quebrado: Jardineira mostarda

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   Acho que esse foi o Cabide Quebrado mais louco de ser fotografado, viu? Semanas atrás fui para Uruguai com meus pais e no caminho resolvi que pararia para tirar fotos pro blog e por isso levei umas roupinhas mais legais. Então, em certo ponto, simplesmente pedi para meu pai parar o carro que iria tirar foto ali. No meio da estrada.



   Enquanto meu pai ria das minhas caras conceituais para as fotos e controlava quando vinha carro, minha mãe e eu ignorávamos o vento monstruoso que resolveu aparecer. Por isso que meu cabelo está imperdoável assim, mas ignorem. Eu achei que valeu a pena.

   O look é simples: jardineira mostarda que se tornou minha paixão quando ainda estava no manequim da loja e um casaco oversized. Adoro como as mangas ficam mais compridas e parece que ele me abraça, sabe? A Melissa de salto foi para dar um ar mais sofisticado, mas podia ser um All Star para maior conforto. Isso fica por conta da ocasião, né?


   Não pude tirar fotos dos detalhes da roupa porque um caminhão acabou parando no acostamento e não sabíamos se eles iam nos assaltar ou rir do motivo pelo qual estávamos parados, então simplesmente fomos embora. Mas ainda sim, espero que gostem das fotos tanto quanto eu gostei. E da combinação de peças também, obviamente.

Jardineira: C&A
Blusa: Renner
Cardigan: Cato
Sandália: Melissa

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